Pequim e Asean resolverão de forma "amistosa" disputas no Mar do Sul da China

Gaspar Ruiz-Canela.

Vientiane, 25 jul (EFE).- O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, e os chanceleres dos países-membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean) decidiram nesta segunda-feira resolver de "forma amistosa" as disputas no Mar do Sul da China.

A decisão foi informada em um comunicado conjunto na reunião realizada em Vientiane, capital do Laos, quase duas semanas depois de o Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia ter negado as "reivindicações históricas" da China na região.

Todos se comprometeram na nota a impulsionar o diálogo, acatar as leis internacionais e garantir o trânsito aéreo e marítimo no Mar do Sul da China.

"As partes envolvidas se comprometem a resolver suas disputas territoriais e jurisdicionais por vias práticas, sem recorrer à violência ou o uso da força, por meio de consultas e negociações amistosas por países soberanos diretamente", diz o documento.

A declaração implica que os países da Asean renunciam uma abordagem multilateral nas disputas territoriais, o que inclui tribunais de justiça internacionais, a fórmula preferida pelo governo chinês.

Apesar da boa sintonia, a diplomacia chinesa não pôde evitar que a Asean manifestasse sua "séria preocupação" pela escalada de "atividades" no Mar do Sul da China, o que considerou uma ameaça para paz, a segurança e a estabilidade na região.

A Asean é integrada por Mianmar, Brunei, Camboja, Filipinas, Indonésia, Laos, Malásia, Cingapura, Tailândia e Vietnã.

As autoridades chinesas publicaram em 1947 o chamado mapa de "linha dos nove traços", o que inclui como território nacional a maior parte do Mar do Sul da China.

Brunei, Filipinas, Malásia e Vietnã reivindicam parte dessa região, enquanto Taiwan, que a China considera parte de seu território, faz a mesma reivindicação que Pequim. Todos criaram ilhas artificiais na região com potenciais usos militares.

O ministro das Relações Exteriores da China afirmou em entrevista coletiva a reunião que é hora de "descer a temperatura" após a tensão criada pelo Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia.

Wang acusou o tribunal de tomar a decisão influenciada por "forças externas", que não quis identificar. E voltou a culpar "forças externas" de militarizar o Mar do Sul da China, território onde os Estados Unidos aumentaram sua presença naval para, segundo Washington, defender a liberdade de circulação.

O chanceler chinês citou a "instabilidade" que impera em outras regiões do mundo devido a ingerências externas e que concluiu que a decisão de Haia "solapa a paz e prosperidade" no Sudeste Asiático.

A Asean não é capaz de adotar uma posição reivindicativa em torno do Mar da China do Sul, devido, sobretudo, à proximidade diplomática e econômica de Pequim com alguns dos membros do bloco.

Ao longo do dia, os chanceleres da Asean também fizeram reuniões com o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e os ministros das Relações Exteriores do Japão, Rússia, Austrália, Nova Zelândia, Índia, União Europeia e outros.

Além do litígio do Mar do Sul da China, o encontro no Laos aborda o desarmamento nuclear, a integração econômica, a mudança climática, as migrações, o tráfico de pessoas e o terrorismo.

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