"Trem de água" percorre regiões desérticas na Colômbia

Jaime Ortega Carrascal.

Albania (Colômbia), 26 jul (EFE).- Ao longo dos 150 quilômetros de ferrovia entre a jazida de La Mina e Puerto Bolívar, o "Trem de água" abastece vilarejos para ajudar a atenuar a seca vivida desde sempre pelos habitantes da região de Alta Guajira, no Caribe colombiano.

O "Trem de água" é uma iniciativa da mineradora Cerrejón, que explora a maior mina de carvão ao ar livre do mundo e que incorporou a seus trens de carga dois vagões com capacidade para armazenar 89 mil litros de água potável, que é distribuída nas regiões desérticas ao longo do caminho.

"Nos últimos dois anos tivemos o pior 'El Niño', a maior seca dos 30 anos de história da Cerrejón", disse o presidente da mineradora, Roberto Junguito Pombo, ao explicar a iniciativa do "Trem de água" em 2014, em meio ao agravamento da seca na região.

Segundo os habitantes locais, de 2014 até maio deste ano praticamente não choveu em La Guajira, departamento do extremo norte do país, fenômeno que agravou a já crônica seca, causou a morte de várias crianças por desnutrição e a destruição dos poucos cultivos da região.

O "Trem de água" faz parte de um plano de emergência para a seca criado pela Cerrejón para abastecer com água os habitantes das zonas desérticas por onde passa o trem de 738 vagões carregado de carvão, que parte do município de Albania e vai até Puerto Bolívar.

O trem para em duas estações, nos quilômetros 110 e 129, onde a cada duas semanas descarrega em tanques móveis 513 mil litros de água que são distribuídos aos habitantes de 179 pequenas comunidades, a maioria de indígenas Wayuu, nômades que vivem entre Colômbia e Venezuela.

"O principal problema em Alta Guajira é que não temos fontes de água próprias", afirmou Junguito, que explicou que a água usada pela Cerrejón e que é distribuída às comunidades vem de uma usina dessalinizadora e dos aquíferos do rio Ranchería, dos quais a empresa só utiliza 13% do total que está autorizado a coletar pela concessão.

Diante da boa recepção do serviço, a Cerrejón e o governo de La Guajira decidiram ampliar a cobertura com a construção de grandes tanques ao longo da ferrovia que sirvam como reservatórios "para que as comunidades tenham acesso a essa água de maneira permanente", acrescentou Junguito.

"A ideia é ter em diferentes pontos tanques de 800 mil litros com água potável, o que permitirá às comunidades Wayuu coletar água permanentemente nesses tanques", disse o governador de La Guajira, Jorge Enrique Vélez.

O plano de emergência da Cerrejón para a seca inclui a doação de 1.506 tanques de armazenamento de água de 500, mil e cinco mil litros de capacidade em 221 comunidades da região porque parte do problema de La Guajira é a distância entre os vilarejos, o que dificulta a distribuição.

A mineradora, que produz mais de 33 milhões de toneladas de carvão anualmente, também reparou 68 moinhos de vento que geram uma disponibilidade de 2,9 milhões de litros de água para 57 comunidades rurais dos municípios de Albania, Maicao, Uribia e Manaure.

Esses programas, que têm como aliados estratégicos várias instituições nacionais e organizações internacionais, também fizeram reparos em 11 lagos, em estruturas utilizadas como caixas d' água situadas ao longo do trajeto do trem.

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