Barack Obama, um otimista convicto ao lado de Hillary Clinton

Miriam Burgués.

Filadélfia (EUA), 28 jul (EFE).- Apesar da fama de frio e imperturbável, na reta final de seu mandato Barack Obama relaxou e mostrou seu lado emotivo contra a violência das armas, sua indignação contra Donald Trump, um apreço sincero por Hillary Clinton e, acima de tudo, seu enraizado otimismo.

Otimista e esperançoso sobre o futuro do país, emocionado em alguns momentos e incomodado com Trump em outros. Assim Obama se expressou nesta quarta-feira em seu discurso na Convenção Democrata para apoiar a candidatura presidencial de sua "amiga" Hillary.

Neste mesmo ano já havia se recusado a falar na cerimônia de graduação do ensino médio de sua filha mais velha, Malia, porque, segundo disse, não teria podido deixar de chorar e não queria envergonhá-la.

Mas, no último mês de janeiro, não pôde ou não quis conter-se quando discursou na Casa Branca para apresentar novas medidas executivas sobre o controle das armas de fogo e, entre lágrimas, lembrou das 20 crianças assassinadas no tiroteio na escola Sandy Hook de Newtown (Connecticut) em 2012.

"Cada vez que penso nessas crianças me enfureço", declarou então Obama, que também chorou diante das câmeras no dia em que ocorreu esse massacre e cuja maior frustração como presidente foi o fracasso de seus esforços contra a violência causada pelo uso das armas nos EUA.

Outro massacre recente, o de junho de 2015 em uma igreja da comunidade negra em Charleston, também comoveu o presidente, que se deixou levar pela emoção durante a elegia em memória das vítimas e cantou "Amazing Grace", um hino cristão sobre a força da fé.

Libertado do cabresto inerente às campanhas políticas, Obama não teve papas na língua para denunciar, visivelmente incomodado, a xenofobia de Trump, candidato republicano à presidência dos EUA.

"Onde isto vai parar?", questionou Obama em junho sobre a retórica xenófoba do magnata após o massacre de 49 pessoas em uma boate gay de Orlando.

Além de Trump, Obama também falou, alto e claro, contra a "pequenez" da política atual frente à "magnitude" dos desafios enfrentados pelo país.

"É um dos poucos pesares de minha presidência, que o rancor e a desconfiança entre os partidos tenham piorado ao invés de melhorar", reconheceu em seu último discurso sobre o Estado da União.

"Não podemos avançar se tudo o que fazemos é destroçar uns aos outros", advertiu em fevereiro em Springfield perante a Assembleia Geral de Illinois, em cuja escadaria apresentou sua primeira candidatura à Casa Branca em 10 de fevereiro de 2007.

Agora, com uma popularidade superior a 50%, "acredita" em Hillary Clinton para guiar um país dividido, longe ainda da reconciliação racial que ele defendeu em seu memorável discurso na Convenção Democrata de 2004.

Não decidiu, ou não quer contar, o que pensa em fazer após deixar a Casa Branca em janeiro, mas por enquanto viverá com sua família em Washington, em um bairro do noroeste da cidade, para que sua filha mais nova, Sasha, possa terminar o ensino médio.

Em várias ocasiões, Obama comentou que quando terminar seu mandato seguirá sendo "muito jovem" e se vê voltando "a fazer o tipo de trabalho que fazia antes", quando foi advogado de direitos civis em Chicago.

Chicago é o lar de sua esposa, Michelle, mas deu muito a Obama. A família mantém sua casa na parte sul da cidade, a mesma área onde será construída a biblioteca sobre seu legado presidencial.

Obama nasceu um 4 de agosto de 1961 no Havaí, o estado mais jovem e distante dos EUA, e lhe puseram o nome Barack como seu pai, um economista queniano educado em Harvard, mas quem realmente lhe marcou foi sua mãe, Stanley Ann Dunham, uma antropóloga do Kansas.

Após a separação de seus pais quando tinha apenas dois anos, o pequeno Barack Hussein voltou a ver seu progenitor só mais uma vez e o novo casamento de sua mãe o levou ao país de seu padrasto, Indonésia, onde se educou em escolas muçulmanas e católicas.

Aos 10 anos sua mãe o enviou outra vez ao Havaí, com seus avôs, para que recebesse uma melhor educação. Em sua adolescência teve contratempos com as drogas e estava mais interessado em basquete que em livros, mas foi um aluno brilhante e terminou estudando Política na Universidade de Colúmbia e Direito em Harvard.

Sua avó materna, Madelyn Payne Dunham, que morreu no dia anterior de seu triunfo eleitoral em 4 de novembro de 2008, o inspirou a pensar grande.

Ela "acreditava na promessa fundamental do sonho americano" da recompensa ao trabalho duro "e nos ressuscitou" com seu exemplo, segundo confessou sua esposa Michelle, a advogada com a qual compartilha sua vida desde 1992.

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