Merkel defende política de amparo a refugiados após 2 atentados na Alemanha

Noelia López.

Berlim, 28 jul (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reconheceu nesta quinta-feira que os atentados de Würzburg e Ansbach, cometidos por refugiados, geraram insegurança, mas defendeu sua política de amparo e garantiu que o país superará o "teste histórico" que está enfrentando.

Em uma grande entrevista coletiva após interromper suas férias, Merkel tentou amenizar os medos dos alemães após os ataques registrados no estado federado da Baviera e também contestar os que a acusam de ter subavaliado os riscos de receber centenas de milhares de refugiados no país.

A chanceler lembrou as criticadas declarações que deu há onze meses, quando afirmou que a Alemanha superaria o desafio. No entanto, reiterou que isso seria fácil, e voltou a se mostrar convencida que o país enfrentará com êxito a "tarefa histórica".

A entrevista, de mais de uma hora e meia de duração, girou em torno do ataque cometido contra um trem de passageiros perto de Würzburg por um menor refugiado afegão, que feriu cinco pessoas com um machado e uma faca antes de ser morto pela polícia, e à bomba detonada neste domingo em Ansbach por um refugiado sírio, de 27 anos, que morreu na explosão e feriu outras 15 pessoas.

Ambos os atentados foram reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI). Merkel assumiu que isso demonstra que o jihadismo chegou à Alemanha, mas reiterou que os culpados não são os refugiados. Segundo ela, essas pessoas são diferentes de todos os outros que vieram ao país fugindo da perseguição e da guerra.

A intenção dos jihadistas, disse a chanceler, é atacar um estilo de vida e uma sociedade aberta, colocar à prova toda a unidade e quebrar o desejo de amparo. Por isso, é preciso enfrentá-los e não se desviar do caminho empreendido até então.

Merkel apresentou um plano de medidas com várias das iniciativas já iniciadas ou anunciadas para, por exemplo, melhorar o registro dos refugiados, agilizar as expulsões daqueles que não tenham direito a asilo ou que sejam criminosos, e possibilitar a intervenção do Exército em caso de alerta terrorista grave.

A líder lembrou, no entanto, que é preciso colaboração dos parceiros europeus para lidar com o problema e admitiu sua decepção com a "pouca disposição" de alguns países em compartilhar as responsabilidades diante da crise dos refugiados.

Após a lamentar a "insegurança generalizada" que foi provocada pelos atentados realizados por refugiados, Merkel ressaltou que a responsabilidade do governo é restaurar a confiança do cidadão e garantiu que fará tudo o possível para reforçar a segurança.

Os políticos, destacou, não podem atuar sob medo e devem zelar pelo artigo 1 da Constituição da Alemanha, que garante que a dignidade humana é inviolável, e que respeitá-la e protegê-la é obrigação de todo o poder público do país.

Merkel afirmou que a Alemanha está em "guerra" contra o EI, mas não está "em nenhuma guerra contra o islã". E descartou ampliar a colaboração do país à coalizão internacional, liderada pelos Estados Unidos, que luta contra o grupo jihadista na Síria e no Iraque.

A chanceler ressaltou que conta com o apoio de seu vice-chanceler, o líder social-democrata Sigmar Gabriel, e se comprometeu a trabalhar para recuperar os cidadãos que com partidos de extrema-direita, como a Alternativa para a Alemanha (AfD).

Além do discurso de teor xenófobo do partido, Merkel enfrenta as críticas dos conservadores da Baviera, legenda de ex-membros da União Democrata-Cristã (CDU), chanceler presidido, e especialmente duro com a política de amparada de Berlim.

Baviera se transformou na via de entrada de centenas de milhares de refugiados que chegavam à Alemanha a partir do sul da Europa e foi palco dos primeiros atentados reivindicados pelo EI no país.

Merkel também negou que esteja atravessando seu pior momento político e deixou aberta hoje a possibilidade de concorrer à reeleição nas eleições gerais previstas para 2017.

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