Rebeldes iemenitas e aliados criam conselho político para governar país

Sana, 28 jul (EFE).- O movimento dos houthis e o partido do ex-presidente iemenita Ali Abdullah Saleh acordaram nesta quinta-feira a formação de um conselho político para administrar o Iêmen, o que foi interpretado pelo governo reconhecido internacionalmente como uma nova tentativa dos rebeldes para tomar o poder.

A agência oficial de notícias iemenita "Saba" informou que o papel do conselho conjunto é "unificar os esforços para administrar os assuntos do Estado (...) de acordo com a Constituição e fazer frente à agressão saudita", em referência à intervenção militar no Iêmen da coalizão árabe liderada por Riad.

O novo órgão será presidido de forma alternada pelas duas partes e terá a autoridade para emitir as leis e as decisões necessárias para exercer suas funções executivas.

O presidente do Conselho Político dos houthis, Saleh al Samad, e o vice-presidente do partido Congresso Popular Geral, Sadeq Abu Ras, assinaram hoje o acordo pelo qual foi criado o conselho conjunto entre os dois grupos que se opõem à autoridade do presidente iemenita, Abdo Rabbo Mansour Hadi.

Após rubricar o acordo, Abu Ras garantiu em entrevista à imprensa que o pacto é "uma resposta às demandas do povo iemenita" e convidou todas as forças políticas a se somarem ao mesmo.

Este passo adotado pelos rebeldes pode fazer fracassar as negociações de paz auspiciadas pela ONU, que se desenvolvem no Kuwait desde abril e que foram retomadas no dia 16 de julho após uma pausa de duas semanas.

O porta-voz da delegação governamental nessa negociações, Mohammed al Umrani, considerou em declarações à Agência Efe que o acordo de hoje "danificará muito" as consultas e sua possibilidade de sucesso.

"É um novo golpe contra as negociações e, na minha opinião, representa a última bala disparada contra o diálogo", acrescentou.

Mesmo assim, Al Umrani explicou que seu governo tem obrigações perante a ONU, por isso que não pode se retirar diretamente das negociações, mas garantiu que tratará a questão com o enviado especial da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Sheikh Ahmed.

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