Erdogan retirará todos os processos por insultos como sinal de boa vontade

Istambul, 29 jul (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, anunciou nesta sexta-feira que retirará todos os processos contra aqueles acusados nos últimos meses de tê-lo insultado, como sinal de boa vontade após o fracassado golpe de Estado.

O presidente do país anunciou a decisão durante um ato em Ancara em homenagem às vítimas da fracassada tentativa de golpe de Estado do último dia15 de julho, informou a emissora de televisão "CNNTÜRK".

"De uma só vez, vou perdoar e retirar todos os casos contra as muitas faltas de respeito e insultos contra minha pessoa", declarou.

Nos quase dois anos de Erdogan na presidência turca quase 2.000 pessoas foram processadas por injúrias contra o chefe do Estado, em alguns casos por simples brincadeiras ou comentários através das redes sociais.

Insultar o chefe do Estado pode acarretar penas de prisão de até cinco anos na Turquia, embora no passado os presidentes turcos quase não tenham recorrido à Justiça por este motivo.

A denúncia por insultos contra o comediante alemão Jan Böhmermann, que dedicou um poema satírico a Erdogan, suscitou uma crise diplomática com a Alemanha em um momento no qual a Turquia é um parceiro fundamental para controlar a imigração e a chegada de refugiados à Europa.

Além de denúncias contra humoristas, jornalistas e personagens públicos, foram registrados casos como os processos contra dois menores, de 12 e 13 anos, acusados de insultar o presidente por arrancar um cartaz de uma parede.

Em seu discurso de hoje, Erdogan também criticou a União Europeia e o Ocidente pelas críticas levantadas por seu expurgo no exército, no Judiciário e na administração civil após o golpe, e que se saldou até agora com mais de 18.000 detenções e 66.000 suspensões ou demissões de funcionários.

"Algumas pessoas nos dão conselhos. Dizem que estão preocupados. Metam-se em seu próprio assuntos. Cuidem de suas próprias coisas", bradou Erdogan.

"Nem uma só pessoa veio mostrar suas condolências (pelas vítimas) seja da União Europeia ou do Ocidente. Esses países ou líderes que não estão preocupados com a democracia da Turquia, com a vida de nosso povo e seu futuro e, pelo contrário, estão preocupados com o destino dos golpistas, não podem ser nossos amigos", advertiu.

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