História de soldado muçulmano morto em combate confronta rancor de Trump

Beatriz Pascual Macías.

Filadélfia (EUA), 28 jul (EFE).- A história de Humayun S.M. Khan, um soldado muçulmano morto no Iraque, contada nesta quinta-feira por seu pai na Convenção Nacional Democrata confrontou o rancor expressado pelo candidato presidencial republicano Donald Trump, que propõe a proibição da entrada dos muçulmanos nos Estados Unidos.

"Nosso filho Humayun tinha o sonho de ser um advogado militar. Esses sonhos foram deixados de lado no dia em que sacrificou sua vida para salvar seus companheiros militares", contou Khizr M. Khan, o pai do soldado falecido na Convenção Democrata que terminou hoje na Filadélfia (Pensilvânia).

Quando estava em uma missão no norte de Bagdá, em junho de 2004, o capitão Humayun S.M.Khan fez toda sua tropa retroceder e se assegurou que estavam a salvo, mas um carro-bomba explodiu, tirou sua vida e lhe transformou em um dos 14 militares americanos muçulmanos mortos após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Hoje seu pai lançou um forte manifesto contra Donald Trump no palco da Convenção Democrata que designou oficialmente Hillary Clinton como candidata presidencial.

"Se fosse por Donald Trump, ele (meu filho) nunca teria vivido nos Estados Unidos", ressaltou M. Khan acompanhado de sua mulher e em referência à proposta do magnata de proibir a entrada nos EUA dos muçulmanos a fim de combater grupos terroristas como o Estado Islâmico (EI).

"Donald Trump, você está pedindo aos americanos que lhe confiem seu futuro. Me deixe perguntar: Você já leu a constituição dos Estados Unidos? Com muito gosto lhe apresento minha cópia. Neste documento busque as palavras 'liberdade' e 'igualdade perante a lei'", disparou M. Khan com uma cópia da Constituição na mão.

Desta forma, o muçulmano se dirigiu a Trump para perguntar-lhe se alguma vez tinha estado no cemitério de Arlington, estabelecido como cemitério nacional em 1864, durante a guerra civil americana, e onde estão sepultados mais de 400.000 soldados americanos e suas famílias.

"Vá buscar entre os túmulos dos patriotas valentes que morreram em defesa dos Estados Unidos e verá todos os credos, gêneros e etnias", pediu a Trump o pai do militar falecido.

"O senhor não sacrificou nada nem ninguém", ressaltou Khan, que recebeu uma grande ovação do público e cujo testemunho ganhou grande popularidade nas redes sociais.

O discurso de M. Khan quase ofuscou uma das falas mais esperadas da noite, a de John Allen, ex-enviado especial dos EUA para a coalizão internacional contra o Estado Islâmico e que expressou seu apoio a Hillary, a quem considerou a pessoa melhor preparada para dirigir as forças armadas.

"O que está em jogo é enorme. Não devemos e não podemos ficar à margem" destacou hoje Allen, também ex-chefe das tropas da Otan no Afeganistão e que apareceu sobre o palco rodeado de uma dezena de veteranos de guerra.

"Sei que com ela (Hillary) como nossa comandante-em-chefe, nossas relações internacionais não se reduzirão a uma transação de negócios. Sei que nossas forças armadas não se transformarão em um instrumento de tortura e não cometerão assassinatos ou outras atividades ilegais", acrescentou o prestigiado ex-militar.

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