Indonésia executa 4 presos por tráfico de droga

Bangcoc, 29 jul (EFE).- A Indonésia executou nesta sexta-feira quatro presos, um indonésio e três nigerianos, julgados culpados por tráfico de droga e sentenciados à pena de morte, apesar da oposição de organismos internacionais e ativistas, informou a imprensa local.

Outros dez réus, entre os quais estão cidadãos indonésios, indianos e paquistaneses, entre outros, serão executados nos próximos dias após sua execução ser suspensa.

"As execuções não são feitas para tirar vidas, mas para parar as intenções malignas e o diabólico ato do tráfico de droga (...) As demais execuções acontecerão em períodos", afirmou o procurador-geral para crimes da Indonésia, Noor Rachmad.

O cumprimento da pena capital, realizada através de um pelotão de fuzilamento, aconteceu um ano depois que a Indonésia executou 14 pessoas em duas datas do início de 2015, entre eles dois brasileiros, um holandês e dois australianos.

O presidente indonésio, Joko Widodo, outrora visto como um reformista pró direitos humanos, se mostrou inflexível e insistiu em que não haverá clemência para os culpados de tráfico de drogas.

Nações Unidas e União Europeia, entre outros organismos internacionais, pediram ao governo da Indonésia a suspensão das execuções, a aplicação de uma moratória e que desse passos rumo à abolição do castigo capital.

A Anistia Internacional condenou, em comunicado, o "deplorável ato" e pediu o "imediato cancelamento" das execuções adiadas.

"Muitas destas pessoas (no corredor da morte) tiveram um julgamento injusto", afirmou à Efe Ajeng Larasati, advogada da Community Legal Aid Institute e membro da equipe de defesa de Humprey Jefferson, um dos nigerianos executados nesta sexta-feira.

A advogada assegurou que as autoridades indonésias torturaram seu representante e outros acusados para arrancar uma confissão durante a investigação, além de negar durante as primeiras semanas da detenção o acesso a advogados e intérpretes para os acusados.

"As armadilhas são comuns nos casos de tráfico de droga porque a Polícia tem uma quota para preencher todo mês. Quando não conseguem o número, recorrem a técnicas de fraude e tortura", indica Larasati em um e-mail.

Uma testemunha confessou que tinha escondido heroína no restaurante dirigido por Jefferson, mas o tribunal rejeitou sua declaração, afirmou Larasati.

"Em uma situação onde o sistema é corrupto e cheio de julgamentos injustos, os inocentes são vulneráveis a serem condenados por coisas que não fazem ou não têm intenção de fazer", sentenciou a advogada.

Após restaurar o uso da pena de morte no ano passado, a Indonésia planeja executar 16 réus este ano e 30 em 2017.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos