Ativistas católicos LGBT reivindicam aceitação durante JMJ na Polônia

Nacho Temiño.

Varsóvia, 30 jul (EFE).- Cristãos homossexuais, bissexuais e transexuais também estão presentes na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) deste ano, realizada em Cracóvia, na Polônia, onde contam com um "refúgio do peregrino LGBT" e defendem que a Igreja Católica abra suas portas aos crentes de qualquer orientação sexual.

Em uma cidade repleta de fiéis de todo o mundo, é preciso entrar nas ruas do antigo bairro judaico da cidade para encontrar a cafeteria que durante os dias da JMJ virou ponto de encontro para os LGBT cristãos e católicos em particular.

"Preparamos este lugar para que os jovens LGBT possam se encontrar e se sentir aceitos, falar de sua fé, de sua visão do mundo, de sua orientação sexual e rezar", disse à Efe uma das responsáveis pela associação cristã polonesa "Fé e Arco Iris", Artur (formalmente Barbara) Kapturkiewicz.

Até aqui chegam dezenas de peregrinos e jovens cristãos que buscam encontrar aceitação e consolo diante dos preconceitos, afirmou Kapturkiewciz enquanto jovens tinham uma reunião na qual dividiam suas experiências sobre religião e sexualidade.

O ativista gay, católico e diretor de cinema Brendan Fay, americano de origem irlandesa, como ele mesmo ressalta em várias ocasiões, acredita que é hora de a Igreja Católica aceitar os fiéis independentemente de sua orientação sexual, e sustenta que dar esse passo não representará o final da Igreja como a conhecemos, mas um renascimento para melhorar.

"Ganharíamos uma Igreja aberta à qual retornar", alegou, antes de lembrar que "o Evangelho fala de aceitar todo mundo".

"É preciso acabar com estes preconceitos, cada igreja deve abrir suas portas e dar as boas-vindas a todo mundo", ressaltou.

Fay reconhece que espera esse dia no qual todos os casais, sem importar a orientação, possam entrar em um templo católico e "receber as mesmas bençãos".

A iniciativa da associação "Fé e Arco Iris" não conta com o apoio da Igreja Católica nem faz parte da agenda oficial da JMJ, embora Kapturkiewicz garanta que ninguém do evento tenha "criado problemas" para o refúgio LGBT.

De fato, a organização se reuniu com um representante da cúria local para tentar integrar o programa da JMJ e, apesar da recusa, a reunião foi fluente e cordial, afirmou Kapturkiewciz.

No refúgio destacava-se o americano Francis Krebs, o bispo da Igreja Ecumênica Católica da Comunhão, que usava uma chamativa camisa fúcsia e um grande crucifixo.

Krebs afirma que é católico, embora sua igreja seja independente de Roma. Trata-se de uma congregação baseada na solidariedade, onde todos são aceitos, as mulheres podem ser sacerdotisas e os párocos podem se casar.

"Muitos LGBT que querem continuar sua vida católica se sentem confortáveis conosco porque ninguém se preocupa por sua orientação e são totalmente aceitos. Estar em nossa Igreja é como aterrissar em um planeta onde é considerado normal ser LGBT, eu mesmo sou bispo e também sou homossexual", explicou Krebs.

Tanto Kapturkiewciz como os demais ativistas cristãos deixam claro que não pretendem lutar contra a Igreja Católica, da qual falam com respeito o tempo todo, mas fazer com que os LGBT também possam ser parte desse grande família.

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