Papa volta a pedir não vincular islã ao terrorismo

Cristina Cabrejas.

Redação Central, 31 jul (EFE).- O papa Francisco voltou a pedir neste domingo, durante o voo que o levou da Cracóvia a Roma, que as pessoas não associem o islã ao terrorismo e garantiu que também existem fundamentalistas católicos.

Francisco já tinha defendido este conceito no voo de ida à cidade polonesa, onde participou da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2016, quando manifestou que o mundo está em guerra, mas que "não se trata de uma guerra entre religiões", mas voltou ao assunto hoje quando foi perguntado sobre o assassinato do padre francês cometido na semana passada por dois jovens em nome do islã.

O papa explicou que não gosta de falar "de violência islâmica, já que todos os dias as pessoas leem nos jornais sobre violências de todo tipo", inclusive as cometidas por católicos e para exemplificar citou os vários casos de feminicídio na Itália.

"Na Itália, por exemplo, diariamente aparecem casos de homens que matam à namorada, à sogra e são católicos batizados", destacou.

"Eu não falo de violência islâmica ou de violência católica. Os islâmicos não são violentos e os católicos também não são. Em todas as religiões há um pequeno grupo fundamentalista", afirmou.

O pontífice lembrou o longo discurso que fez há alguns meses no Vaticano com o grande imã da Universidade Islâmica do Cairo Al-Azhar, Ahmed al-Tayeb, e que pôde comprovar como o islã "busca a paz e o encontro". Francisco também destacou como a Europa deixou sozinhos muitos jovens e que acabaram em grupos fundamentalistas. Por outro lado, disse que sobre o denominado Estado Islâmico "é possível sim dizer que é violento" quando mostra como matar alguém.

O terrorismo e a violência estiveram muito presentes nesta viagem do papa à Polônia para participar da JMJ, mas ele estava muito mais cauteloso na hora de responder perguntas atuais, como a situação na Turquia após o fracassado golpe de Estado, da qual disse que ainda não pode falar até que saiba bem o que ocorreu, já que "ainda não está claro".

O mesmo ocorreu com o caso da Venezuela, sobre o qual ele apenas confirmou a possibilidade de o Vaticano entrar no grupo de ex-presidentes mediadores para tirar o país da crise.

Enquanto sobre a questão da investigação sobre supostos abusos a menores do cardeal australiano George Pell, o "ministro" de Finanças do Vaticano, o pontífice disse que se expressará quando "falar à Justiça".

Francisco explicou que de todas as denúncias estão sendo investigadas pela Justiça e, portanto, "não se pode julgar antes de que a Justiça o faça" e lembrou que "sempre é preciso levar em conta o princípio do 'In dubio pro reo' (na dúvida, a favor do réu)".

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