Rússia rejeita acusações de Hillary de ciberataque contra comitê democrata

Moscou, 1 ago (EFE).- A Rússia negou nesta segunda-feira as acusações da candidata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, de que um ataque cibernético contra o Comitê Nacional do Partido Democrata (DNC, sigla em inglês) teria sido originado no país.

"As declarações da senhora Clinton precisam ser enquadradas na retórica eleitoral. Elas não têm nada de concreto e, por isso, acreditamos que foram feitas pela paixão do momento", disse Dmitri Peskov, o porta-voz do Kremlin, para veículos de imprensa locais.

Além disso, Peskov comentou que "as acusações contra hackers russos não são sinônimo de acusações contra os dirigentes e o governo russo".

"As afirmações de que Rússia dirige as ações de hackers são bastante absurdas". "Não há dúvida alguma de que as estruturas governamentais russas não se dedicam, e nunca se dedicaram, ao ciberterrorismo, isso não é possível", insistiu o porta-voz do Kremlin.

Peskov lembrou que a Rússia alertou em várias ocasiões sobre a necessidade de uma maior cooperação internacional contra "esses fenômenos perigosos", mas que os EUA nunca revelaram o menor interesse.

Além disso, a Chancelaria russa qualificou as afirmações de Hillary de "insultantes e indignas do nível de uma campanha eleitoral presidencial", e assegurou que seu único objetivo é "influenciar o eleitorado americano com acusações não confirmadas".

"Considero que isto é simplesmente escandaloso e que quando alguém recorre a tais argumentos isso demonstra fraqueza", disse Andrei Krutskij, emissário russo para cooperação no âmbito da segurança cibernética.

Além disso, Krutskij ressaltou que "os representantes da Casa Branca ou evitam fazer comentários a respeito ou os fazem de maneira muito vaga, mas não apresentaram acusações de maneira oficial".

O funcionário russo acrescentou que os presidentes Vladimir Putin e Barack Obama assinaram um acordo sobre medidas de confiança no uso de tecnologias da informação.

"O pacto estipula que, caso surjam suspeitas ou reivindicações, sejam ativados diferentes canais, inclusive no mais alto nível político, para que ambos os países esclareçam as disputas e manifestem suas preocupações", explicou Krutskij.

Durante uma entrevista à rede de televisão americana "Fox News", Hillary acusou no domingo a Rússia pelo ciberataque cometido contra o DNC de seu partido, que permitiu a divulgação de 20.000 e-mails por parte do site Wikileaks.

"Sabemos que o serviço de inteligência russo, que faz parte do governo russo e está sob o controle firme de Vladimir Putin, hackeou o DNC", garantiu a candidata.

A ex-secretária de Estado afirmou que a Rússia "fez preparativos para que muitos desses e-mails fossem divulgados" e acusou o candidato republicano Donald Trump de mostrar "uma alarmante disposição de apoiar Putin".

O FBI abriu há uma semana uma investigação sobre esse incidente, mas a Casa Branca ainda não acusou oficialmente a Rússia do ataque.

O vazamento dos e-mails revelou estratégias do DNC para enfraquecer o senador Bernie Sanders frente a sua grande rival nas eleições primárias democratas, a ex-primeira-dama Hillary Clinton, cuja campanha não hesitou em acusar, desde um primeiro momento, a Rússia pelo ataque cibernético.

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