Trump provoca nova tempestade de críticas ao confrontar pais de soldado morto

Jairo Mejía.

Washington, 1 ago (EFE).- O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, se transformou, mais uma vez, em um alvo de críticas de membros da cúpula de seu partido e de famílias de militares ao confrontar os pais imigrantes e muçulmanos de um soldado americano morto no Iraque, que discursam na Convenção Nacional Democrata na semana passada.

O senador e candidato republicano à presidência em 2008, John McCain, o presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, o republicano Paul Ryan, e altos cargos conservadores se mostraram contrariados pela maneira como Trump respondeu aos pais do capitão Humayun Khan, morto por um carro-bomba no Iraque em 2004.

Em uma entrevista à emissora "ABC News" neste fim de semana, Trump afirmou que quando o pai do militar, Khriz Khan, acompanhado de sua esposa, Ghazala, disse que ele não tinha sacrificado nada em comparação com seu filho morto, se equivocaram porque ele tinha trabalhado muito duro e criado milhares de empregos.

A comparação entre um herói de guerra, que morreu após afastar seus subalternos do perigo, e um empresário que evitou ir à Guerra do Vietnã por um problema no joelho, não pegou bem. Trump também foi criticado porque insinuou que a esposa de Khirz Khan não falou na convenção porque não foi autorizada e porque não tinha nada a dizer.

Os pais do capitão, muçulmanos que vieram pros EUA desde o Paquistão, se transformaram na sensação da Convenção Democrata que indicou Hillary Clinton como a candidata do partido. Eles criticaram firmemente as propostas anti-imigração e contra muçulmanos de Trump, algo que seguiram fazendo nos últimos dias na imprensa americana.

McCain, uma das vozes com mais autoridade em assuntos de Defesa, criticou hoje o "menosprezo" de Trump com os pais do capitão muçulmano morto e garantiu estar em "profundo" desacordo com o empresário. "Embora o partido tenha o indicado à presidência, isso não vem acompanhado de uma licença sem limites para difamar o nosso país", disse o senador em comunicado.

Veterano da Guerra do Vietnã, onde foi feito prisioneiro durante cinco anos, McCain agradeceu a família Khan por ter vindo para os EUA. "Somos o país melhor graças a vocês", indicou.

Ryan, por sua vez, afirmou que a única resposta possível ao discurso dos pais do capitão Khan é reconhecer que "muitos muçulmanos americanos serviram de maneira válida em nossas Forças Armadas e deram sua vida (...). Seu sacrifício e o Khizr e Ghazala deve ser honrado".

O senador republicano Lindsey Graham disse que Trump deve ser "capaz de aceitar críticas se quiser ser líder do mundo livre". "Mas Trump não pode. A palavra inaceitável não chega sequer a descrever o problema", destacou.

Trump dedicou a manhã de hoje a responder, no Twitter, as críticas sobre suas declarações, enquanto os pais do capitão davam entrevistas em quase todos os grandes programas televisivos matinais americanos para rebater o candidato presidencial republicano.

Khizr disse, em entrevista à "NBC", que a contestação de Trump ao seu discurso na Convenção Democrata mostra a "ignorância" do empresário sobre a Constituição e também o "amor" e o agradecimento dos americanos pelo exemplo representado por seu filho.

Trump também foi alvo de críticas de uma associação de famílias mortos em serviço, que pediram ao candidato hoje um pedido de desculpas inequívocas pela reação que teve contra os Khan.

A carta, escrita por Karen Meredith, mãe de um soldado morto e membro da organização de veteranos VoteVets.org, exige que o empresário se desculpe por seus "comentários ofensivos e francamente antiamericanos".

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