Nepal terá candidato único para primeiro-ministro em votação parlamentar

Katmandu, 2 ago (EFE).- O líder do Partido Comunista nepalês (UCPN-M, maoísta), Pushpa Kamal Dahal, será na quarta-feira o único candidato na votação parlamentar para escolher o novo primeiro-ministro do Nepal em substituição a Sharma Oli, que renunciou há dez dias antes de ser submetido a uma moção de censura.

Dahal, o líder que iniciou o movimento guerrilheiro maoísta que supôs o final da monarquia em 2008 e que já foi primeiro-ministro nesse mesmo ano, foi proposto hoje pelo Partido do Congresso com o apoio da formação maoísta na confirmação do que provavelmente será a próxima coalizão de governo.

O vice-porta-voz do parlamento, Sudarshan Kuinkel, indicou à Agência Efe que a escolha vai acontecer amanhã às 11h local (1h15, em Brasília) e que Dahal será o único candidato a ser votado a favor ou contra.

O Partido Comunista Unificado (CPN-UML, marxista-leninista) de Oli, que caiu após perder o apoio do UCPN-M, decidiu não apresentar nenhum candidato.

"Nos manteremos na oposição e votaremos contra a candidatura a primeiro-ministro", afirmou à Efe um líder do CPN-UML de Oli, Pradip Gyawali.

O UCPN-M conta com 82 dos 595 parlamentares e o apoio do Partido do Congresso (NC), que conta com 207 cadeiras, assim como de uma aliança de partidos do Madhesh, região do sul do país.

Os partidos madhesi lideraram uma onda de protestos após a aprovação em setembro da Constituição do país, suscitando uma crise política e econômica que deixou mais de meia centena de mortos, centenas de feridos e um buraco de mais de US$ 10 bilhões em perdas.

O secretário-geral do Partido Tarai Madhesh Loktantrik, Sarbendra Nath Sukla, explicou à Efe que o UCPN-M prometeu declarar mártires os mortos nos protestos e implementar suas propostas para emendar a Carta Magna como parte do acordo.

O Nepal atravessa um período extraordinariamente conturbado após a aprovação em setembro do ano passado de uma Constituição que era esperada desde o final da monarquia, mas que abriu um conflito de grandes proporções com as minorias da região Terai (Madhesh) do sul do país.

Esse conflito, que chegou apenas depois do terremoto que castigou a nação do Himalaia em abril do ano passado, levou a greves e meses de bloqueios, o que, unido ao criticado desempenho do governo após a catástrofe natural, minou o capital político de Oli, que não durou nove meses no poder.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos