Premiê italiano defende investigação da Justiça sobre filho de líder turco

Roma, 2 ago (EFE).- O primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, defendeu nesta terça-feira a Justiça italiana, criticada pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pela investigação promovida no país sobre seu filho.

Renzi garantiu a vigência do "Estado de direito" na Itália em resposta à crítica de Erdogan, que ameaçou dificultar as relações bilaterais entre o país e a Turquia caso a investigação judicial continue a avançar.

"Neste país, os juízes respondem às leis e à Constituição italiana, não ao presidente turco. Isso se chama 'Estado de direito'" postou Renzi no Twitter, em tom irônico.

Em entrevista concedida ao canal de televisão italiano "Rai News", Erdogan declarou nesta terça que a investigação sobre seu filho em Bolonha pode dificultar as relações com a Itália, "que deveria ocupar melhor seu tempo com a máfia".

Necmettin Bilal Erdogan, filho do presidente turco, está sendo investigado pela promotoria de Bolonha por suposta evasão de divisas.

Além de Renzi, o Ministério das Relações Exteriores da Itália se pronunciou sobre as palavras de Erdogan em uma declaração na qual ressaltou que no país "está em vigor o Estado de direito" e acrescentou que existe "o pleno respeito à autonomia da magistratura".

Além disso, o ministério indicou na nota que tanto a Justiça como as forças da ordem "estão empenhadas com o sucesso na luta contra a máfia e não precisam de encorajamento para isso".

"Quanto às relações entre Europa e Turquia, o Ministério das Relações Exteriores italiano reiterou a condenação à tentativa de golpe de Estado na Turquia no dia 15 de julho e confirmou a preocupação comum a toda Europa causada pelos últimos fatos", segundo a nota oficial.

Na entrevista à "Rai News", Erdogan se mostrou muito crítico com a atuação das autoridades europeias após a tentativa de golpe de Estado, sobretudo em relação à chefe da diplomacia comunitária, Federica Mogherini.

"Ela não deveria ter comentado de longe, deveria ter vindo aqui. Quando morrem cinco ou seis pessoas em Paris, todos vão lá. Na Turquia, aconteceu um golpe contra a democracia que custou 238 mártires e até agora não veio ninguém", criticou o presidente turco.

"Se o parlamento italiano é bombardeado, o que ocorre? Como reagiria Mogherini, que é italiana? Diria que fizeram bem, que está preocupada pelos acontecimentos seguintes?", questionou Erdogan.

Além disso, o presidente turco vinculou a manutenção do acordo do país com a União Europeia (UE) para a devolução de refugiados ao fim da exigência de vistos para cidadãos turcos por parte de Bruxelas.

"Se a União Europeia não acabar com a exigência de vistos para os cidadãos turcos, Ancara não respeitará o acordo de março sobre os imigrantes", destacou Erdogan.

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