Rússia acusa EUA de "chantagem" por duvidar de operação humanitária na Síria

Moscou, 2 ago (EFE).- A Rússia acusou nesta terça-feira os Estados Unidos de "chantagem" pelas ameaças de interromper a cooperação na Síria se a operação humanitária russa e síria na cidade de Aleppo for uma "manobra" de Moscou.

"Ouvir agora de Washington que a Rússia está passando por algum tipo de prova e que nos próximos dias e horas se decidirão muitas coisas, é um tom de ultimato inadmissível", disse o vice-ministro das Relações Exteriores Sergei Ryabkov aos veículos de imprensa russos.

Ryabkov se referia às declarações do secretário de Estado americano, John Kerry, que na semana passada advertiu que poderia encerrar a cooperação americana com a Rússia para pôr fim à guerra síria se o plano russo de criar corredores humanitários em Aleppo for uma "manobra" com outro propósito, como enfraquecer a oposição nessa cidade.

Sobre as palavras de Kerry, Ryabkov garantiu que "em tal situação é difícil cooperar e não se pode falar em nenhum caso de uma cooperação autêntica".

O vice-ministro das Relações Exteriores comentou que, "após cada rodada de negociações (de paz para a Síria) bem-sucedida e de conseguir certos acordos, imediatamente Washington começa a fazer novas exigências que rompem todo o equilíbrio e impedem os avanços".

O diplomata lembrou que a abertura de corredores humanitários não foi inventada pela Rússia e que os EUA já utilizaram isso no caso da cidade de Mossul, no norte do Iraque.

"Por que no caso da Síria e de Aleppo as coisas não são feitas assim? Porque, neste caso, o governo sírio finalmente procedeu com a separação de terroristas da oposição moderada e da população civil", disse Ryabkov.

Os EUA, "por motivos políticos, não estão preparados e não estavam dispostos a fazê-lo (separar os terroristas da oposição moderada) durante os últimos meses apesar dos sinais que nos enviaram e das promessas que fizeram", frisou o diplomata russo.

Para Ryabkov, a Rússia segue solicitando a todas as forças "interessadas em aliviar a situação humanitária dos habitantes de Aleppo" para colaborar com a operação.

A Rússia aceitou ontem garantir a entrada dos comboios com ajuda humanitária da ONU na parte leste de Aleppo, cidade onde estão retidos cerca de 250 mil civis, segundo diversas fontes.

Além disso, o governo russo apoiou "totalmente" a proposta do enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, sobre a operação humanitária que russos e sírios iniciaram na quinta-feira passada em Aleppo.

Ryabkov se referiu ao pedido feito por De Mistura para que a Rússia deixe as Nações Unidas gerenciarem os corredores humanitários.

A Rússia anunciou na quinta-feira passada o início de uma operação humanitária em Aleppo em colaboração com o exercito sírio que se propõe a abrir corredores humanitários para que os civis possam deixar a cidade e para os guerrilheiros que queiram abandonar a luta armada.

No entanto, a oposição armada e algumas chancelarias ocidentais temem que a operação seja um "ensaio" de uma operação militar contra a segunda cidade mais importante da Síria, onde, segundo diversas fontes, há mais de 10 mil combatentes, entre guerrilheiros contrários ao regime do presidente Bashar al Assad e jihadistas.

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