Embaixador sírio na Rússia diz que terroristas em Aleppo serão aniquilados

Moscou, 3 ago (EFE).- As tropas governamentais da Síria e seus aliados "cercaram a cidade de Aleppo e têm a intenção de aniquilar os terroristas que se encontram lá", disse nesta quarta-feira à agência russa "Interfax" o embaixador sírio em Moscou, Riad Haddad.

"Como disse o presidente (sírio) Bashar al Assad, os terroristas que se encontram em Aleppo sofrerão um duro golpe. Não fazemos distinção entre as cidades por sua importância, seja Aleppo ou Idlib. As duas cidades estão atualmente sob o controle dos terroristas", afirmou Haddad.

Apesar das declarações do embaixador sírio, o vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Ryabkov, reiterou hoje que nem as tropas russas, aliadas de Damasco, nem as sírias têm intenção de lançar uma ofensiva contra Aleppo.

A operação lançada recentemente pela Força Aérea russa em Aleppo "não tem outros objetivos além de solucionar os problemas humanitários de sua população e criar as condições para ampliar o regime de cessar-fogo", disse hoje Ryabkov aos jornalistas.

"Não está planejada nenhuma ofensiva por parte das tropas sírias, nem ataques aéreos da Força Aérea russa contra Aleppo", ressaltou o diplomata russo.

Haddad, no entanto, assegurou que após concluir "a operação para a aniquilação dos terroristas em Palmira", as tropas governamentais sírias "se dirigem agora em direção a Aleppo".

"Tenho certeza que os dirigentes sírios têm prioridades sobre o campo de batalha, mas são planos militares dos quais não conheço. Mas tenho certeza que não deixaremos um único lugar do território da Síria sob o controle dos grupos terroristas", comentou o diplomata.

As palavras de Haddad parecem confirmar os temores da oposição moderada síria e de alguns países ocidentais, que consideram a operação humanitária empreendida por Moscou e Damasco como a antessala de uma operação contra Aleppo.

Ryabkov voltou a rejeitar essa possibilidade e advertiu hoje os Estados Unidos que as especulações sobre os objetivos da operação russa em Aleppo podem dinamitar os recentes acordos sobre a Síria alcançados entre Moscou e Washington.

A Rússia, segundo advertiu Ryabkov, se esforça "para conservar os alicerces positivos que foram criados" nas reuniões entre o ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, e seu colega americano, John Kerry, mas os temores expressados por Washington "sobre os supostos objetivos da operação humanitária minam essas bases".

A Rússia anunciou na quinta-feira passada o início de uma operação humanitária em Aleppo em colaboração com o exercito sírio que se propõe a abrir corredores humanitários para que os civis e os guerrilheiros que queiram deixar a luta armada possam abandonar a cidade.

Diante da preocupação manifestada pela oposição moderada sobre as verdadeiras intenções da operação, Kerry advertiu na segunda-feira que os próximos dias serão "importantes para determinar se a Rússia e o regime de Assad vão cumprir" com sua suposta intenção de acabar com a violência e iniciar conversas de paz.

"Até agora, as provas a respeito são muito preocupantes para todos", afirmou o secretário de Estado americano.

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