EUA negam ter pagado resgate ao Irã por libertação de americanos

Washington, 3 ago (EFE).- A Casa Branca negou categoricamente nesta quarta-feira que seu pagamento em dinheiro de US$ 400 milhões ao Irã em janeiro foi um "resgate" em troca da libertação de quatro americanos, em resposta às críticas de vários líderes republicanos, entre eles o candidato presidencial Donald Trump.

Segundo a informação publicada hoje pelo jornal "The Wall Street Journal", os Estados Unidos fretaram em segredo até o Irã um avião com paletes repletos de euros, francos suíços e outras moedas no valor de US$ 400 milhões, ao mesmo tempo que Teerã libertava quatro americanos que estavam detidos no país.

O relatório renovou as críticas republicanas sobre o episódio, que já havia sido revelado em janeiro, mas no qual até agora não havia detalhes de como foi efetuada a transação.

"Não foi um resgate. Pagar um resgate pela libertação de reféns vai contra a política dos Estados Unidos", disse o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, em sua entrevista coletiva diária.

Por sua vez, o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Mark Toner, reconheceu que pode parecer uma coincidência que os americanos tenham sido libertados ao mesmo tempo que chegava o avião com dinheiro a Teerã, mas ressaltou que são "assuntos separados".

Toner destacou que o pagamento era de "dinheiro que pertencia ao Irã" desde antes da revolução islâmica no país em 1979, e que estava em poder dos Estados Unidos devido a uma compra militar incompleta que se interrompeu com a queda do regime monárquico do xá Mohammad Reza Pahlevi.

O fato de que o pagamento tenha sido feito em dinheiro, em moeda estrangeira e com a colaboração dos bancos centrais da Holanda e Suíça, segundo o "Wall Street Journal", se deve a que o Irã estava "relativamente desligado do sistema financeiro internacional", alegou Toner.

Embora o pagamento de US$ 400 milhões ao Irã já seja conhecido desde o início deste ano, os novos detalhes geraram críticas de Trump, que utilizou o episódio para atacar sua rival democrata nas eleições de novembro, Hillary Clinton.

"Nossa incompetente (ex-)secretária de Estado, Hillary Clinton, foi a que começou as conversas para dar US$ 400 milhões em dinheiro ao Irã. Um escândalo!", escreveu Trump em sua conta no Twitter.

Por sua parte, o presidente da Câmara dos Representantes, o republicano Paul Ryan, disse que, se for correta, a informação do jornal nova-iorquino confirma sua "suspeita de que a Administração pagou um resgate em troca da libertação de americanos injustamente detidos no Irã".

"Isto também marcaria outro capítulo em sua longa saga de enganar o povo americano para poder vender este perigoso acordo nuclear" com o Irã, acrescentou Ryan em comunicado.

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