Medellín, entre a inovação e o ressurgimento de uma violência esquecida

Carlos Meneses Sánchez.

Medellín (Colômbia), 3 ago (EFE).- Medellín, a segunda maior cidade da Colômbia, luta hoje contra a intensificação de uma violência aparentemente esquecida que obrigou o prefeito, Federico Gutiérrez, a desenvolver um plano integral para não pôr em risco o impulso inovador da cidade.

A capital do departamento de Antioquia, cidade do atual campeão da Taça Libertadores, Atlético Nacional, convive desde o início do ano com um aumento dos homicídios, 70% deles atribuídos à atividade de organizações criminosas que operam em áreas distintas, segundo números oficiais.

Entre abril e maio deste ano os homicídios aumentaram 80% em consequência do início de uma estratégia integral contra a violência, cujo objetivo é tornar visíveis essas "estruturas criminais", segundo Gutiérrez.

"Muitas vezes o que acontece é que quando deixamos tranquilas (as quadrilhas), estas continuam se apoderando dos negócios e terminam se transformando nesse peso para a sociedade. Isso é muito perigoso porque elas se consolidam", afirmou o prefeito em um encontro com a imprensa internacional.

Em Altavista, uma das comunidades que integram Medellín, a prefeitura sabe que operam três quadrilhas conhecidas como "Los Chivos", "Mano de Dios" e "Los Pájaros", dedicadas principalmente à extorsão, ao tráfico de drogas e ao recrutamento de jovens e crianças para o crime.

A situação chamou a atenção do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que recentemente liderou um Conselho de Segurança na cidade para analisar a situação e promover o uso mais eficiente das mais de 1.100 câmeras que vigiam as ruas da capital da Antioquia.

"A nossa estratégia é de segurança integral, que eu mesmo dirijo, em que temos que combater o crime organizado com força e inteligência, mas chegar às comunidades com investimentos sociais", ressaltou Gutierréz.

O dirigente, de 40 anos, formado em Engenharia Civil, assumiu a prefeitura de Medellín em 1º de janeiro de 2016 após ganhar as eleições locais nas quais obteve cerca de 35 % dos votos.

Um dos pilares de seu mandato é proteger a cidade. "Em segurança temos duas opções: nos acovardarmos ou enfrentar o crime. E a minha decisão como prefeito é enfrentar o crime".

Gutiérrez é consciente de que essa responsabilidade que assumiu tem "custo não só político, mas também pessoal", e as ameaças de morte que recebeu são prova disso.

"Qualquer prefeito ou qualquer presidente ou líder que tome a decisão de enfrentar o crime vai ter problemas", admitiu com naturalidade.

Para resistir à violência será preciso que Medellín mantenha "sua dinâmica comercial, empresarial e social" e um progresso baseado na inovação e no desenvolvimento sustentável, reconhecido mundialmente.

O próprio Gutiérrez recebeu no mês passado em Cingapura o prêmio Lee Kuan Yew World City, considerado a máxima premiação do urbanismo no mundo, durante a Cúpula Mundial de Cidades.

A premiação destacou a transformação urbana da cidade baseada, segundo Gutiérrez, em "um casamento até a morte" entre a prefeitura e o setor privado e as universidades, que propiciou a modernização de suas infraestruturas e a conexão de todas as camadas.

"Em Medellín está claro que, independentemente se há ou não diferenças políticas com os (governos) anteriores, os projetos bons de cidade continuam e são aperfeiçoados", comentou.

Gutiérrez garante não estar "preocupado pensando só no que vai ser após ser prefeito" e destacou que a forma independente com que chegou ao poder lhe dá a oportunidade "de chegar livre de compromissos em todos os sentidos".

A rota traçada para Medellín nos próximos anos inclui uma nova linha de metrô, uma nova linha de teleférico e a reestruturação do sistema de transporte público coletivo com pistas exclusivas para ônibus, cuja frota se renovará aos poucos com combustíveis limpos. EFE

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