Professores gregos preparam crianças refugiadas para escolarização

Yannis Chryssoverghis.

Atenas, 3 ago (EFE).- Em um colégio do centro de Atenas um grupo de professores voluntários gregos aproveita as férias escolares para preparar dezenas de crianças refugiadas, que em sua maioria nunca foram à escola por causa da guerra, para sua integração na vida estudantil.

A cada manhã, 130 crianças saem dos centros de amparo da periferia e de hotéis habilitados para os refugiados para fazer ali cursos de grego, de inglês e disciplinas básicas como matemática.

Além dos cursos, o programa inclui projeções de filmes, visitas ao Museu Arqueológico e ao Museu Islâmico de Atenas, encontros com autores gregos de livros para crianças e outras atividades culturais.

O programa foi concebido pela Rede para os Direitos da Criança (DDP) com a participação de 30 professores, quatro intérpretes de farsi e de árabe, e outros seis voluntários para tarefas distintas.

"Isto é um verdadeiro desafio", declarou à Agência Efe Myrsini Sorbá, presidente da DDP, que acrescenta que, além das quatro aulas em sua língua materna - árabe ou farsi -, os alunos aprendem grego, "necessário para comunicar-se aqui, e inglês, porque têm a esperança de ir para outro país".

Na sala de aula onde são realizadas as aulas para as idades de seis e sete anos, cerca de dez crianças seguem as instruções de duas professoras no meio de uma algaravia. Preparam dois grandes cartazes em grego nas quais se pode ler as palavras "amor" e "solidariedade", decoradas com corações, flores e outros desenhos.

"No começo tudo era muito difícil. Nós nos comunicávamos principalmente com gestos", contou à Efe Pavlina, uma das professoras que participa do programa há duas semanas.

As crianças aprendem frases básicas para a comunicação em grego e a ler o alfabeto grego.

"Aprendem muito rápido e têm muita vontade", destacou Nikoleta, seu colega que dá aulas três dias por semana.

Ambas trabalhavam voluntariamente no centro de amparo de Elinikón, no antigo aeroporto de Atenas, quando foram informadas da existência do programa, e estão muito contentes em participar dele.

De todas as salas de aulas saem gritos de alegria: "Só quando lhes ensinamos matemática ficam tranquilos, porque devem concentrar-se e porque gostam", comentou Ioana, outra professora.

Sana, uma egípcia que traduz as aulas para crianças árabes de seis e sete anos, explicou que os pequenos "ficam encantados com os cursos, não querem que terminem".

"Um dia vi uma criança que vem diariamente de um acampamento da periferia chegar meia hora antes que o ônibus que os traz regularmente. Ela me explicou que quando acordou pensou que o ônibus já saído e por isso empreendeu uma odisseia no transporte público para não perder as aulas", relatou Sorbá.

Issa e Sadaf, um menino e uma menina afegãos de 11 anos, estão hospedados com suas famílias em um hotel que um coletivo de solidariedade para os refugiados transformou em centro de amparada.

Suas professoras dizem que estão entre os melhores. Em quatro semanas aprenderam a reconhecer perfeitamente todas as letras do alfabeto grego e a entender várias palavras.

Issa, que, além disso, fala muito bem inglês para sua idade, disse que já tinha ido à escola em Cabul e que chegou à Grécia há seis meses, com sua família, seus pais, seus dois irmãos e sua irmã.

"Tenho certeza que muitos destas crianças, quando entrarem no programa escolar grego normal, estarão entre os melhores alunos", destacou a professora Ioana.

No pátio, grupos de alunos preparam as danças que apresentarão na festa do final do programa.

Há de tudo, desde breakdance até coreografias com ritmos tradicionais árabes.

Sorbá explicou que, uma vez que as candidaturas para participar deste programa, que se desenvolveu durante todo o mês de julho, superou amplamente a cota máxima dos que podiam participar, sua organização decidiu programar para agosto cursos similares, desta vez nos centros de amparada de Sjistó e de Elinikón.

O Ministério da Educação, por sua parte, anunciou que contratará 800 professores para lecionar cursos de grego e inglês no novo ano letivo.

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