Britânica morre misteriosamente no Paquistão em um possível crime de honra

Islamabad, 4 ago (EFE).- Uma britânica de origem paquistanesa que morreu no Paquistão em circunstâncias misteriosas foi assassinada por asfixia e pode ter sido vítima de um "crime de honra", como são chamados as mortes cometidas por familiares por uma afronta moral, informou nesta quinta-feira a Polícia.

Samia Shahid, de 28 anos, morreu no dia 20 de julho quando visitava sua família no leste paquistanês, fato ao qual seus pais descreveram como uma morte natural, mas seu segundo marido Mukhtar Kazam denunciou o crime por honra.

Após 15 dias e um amplo debate nos veículos de imprensa paquistaneses, a polícia finalizou a autópsia e declarou que se tratou de um assassinato.

"Foi um assassinato. Morreu por asfixia, ela foi impedida fisicamente de respirar, segundo a autópsia, e tem marcas no pescoço", disse uma porta-voz da província de Punjab, Nabeela Ghazanfar.

A porta-voz indicou que a causa do assassinato ainda não foi esclarecida, mas afirmou que "parece um crime de honra" e que o principal suspeito é o ex-marido da vítima Mohammed Shakeel.

Além disso, a Polícia investiga o pai e um primo da britânica.

O marido afirmou que ela foi morta porqu tinha se divorciado de seu primo Shakeel para se casar com ele sem a permissão da família e tinha se convertido ao chiismo, uma ramo do islã.

Os chamados "crimes de honra" são muito frequentes no Sul da Ásia e costumam ser praticados por familiares que se consideram afrontados quando uma mulher transgride a moral conservadora tradicional.

Nos últimos meses outros crimes deste tipo ocorreram no Paquistão, entre eles o de Qandeel Baloch, uma jovem famosa por seus vídeos sensuais na internet, assassinada por seu irmão em meados de julho.

Após o assassinato, o governo anunciou que vai aprovar uma lei contra os "crimes de honra", proibir o perdão a familiares neste tipo de delito e endurecer as penas por estupro.

A lei paquistanesa permite a prática islâmica de que se uma vítima de um crime ou sua família morrer, os condenados sejam perdoados, uma forma de burlar a justiça, especialmente nos casos como os "crimes de honra".

A cineasta paquistanesa Sharmeen Obaid Chinoy ganhou neste ano seu segundo Oscar por "A Girl in the River: The Price of Forgiveness", que fala sobre uma jovem que se vê obrigada por sua família a perdoar legalmente seu pai, que a baleou no rosto e a jogou em um rio acreditando que ela estava morta. O pai tentou matar a própria filha por ela ter se casado com um homem de sua própria escolha.

Em 2015, quase mil casos de crimes de honra foram registrados no país de acordo com a Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP), que alerta que esses números escondem uma realidade ainda mais dura, já que muitos casos não são denunciados.

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