Estado Islâmico e Boko Haram se enfrentam por nomeação de novo líder

Lagos, 4 ago (EFE).- O líder do grupo terrorista nigeriano Boko Haram, Abubakar Shekau, desmentiu nesta quinta-feira em um vídeo a mudança de liderança na organização que foi anunciada pelo Estado Islâmico (EI), o que evidenciou a existência de profundas divisões entre os jihadistas.

Ontem, o EI anunciou em uma de suas revistas afins a nomeação de Abu Musab Al-Barnawi como novo líder do Boko Haram, grupo que no ano passado anunciou sua adesão formal ao EI.

No entanto, em um vídeo divulgado por meios de comunicação locais nigerianos, Shekau insistiu hoje que ele continua sendo o líder dos terroristas nigerianos.

"Quero que o mundo saiba que ainda mantemos nossa ideologia e estamos unidos ao Corão. Não nos desviaremos. Continuaremos com nossa causa por Alá", afirmou Shekau nas imagens.

Esta disputa pelo poder revela a divisão interna entre o Boko Haram e teu líder, Abubakar Shekau, que no ano passado anunciou a adesão formal do grupo nigeriano ao EI e jurou lealdade a teu líder, Abu Bakr al-Bagdadi.

"Juramos lealdade ao califa dos muçulmanos, Abu Bakr al-Bagdadi, e vamos escutá-lo e obedecê-lo tanto em tempos de prosperidade como em tempos de dificuldade", disse em 7 de março de 2015 o líder de Boko Haram.

Por sua vez, o governo nigeriano garantiu que o ocorrido nas últimas horas é "propaganda barata" dos terroristas, que nada podem fazer perante a ofensiva militar lançada pelo governo para acabar com eles.

"Nada trará outra vez os terroristas, nem sequer a ilusão do Estado Islâmico", afirmou o ministro nigeriano de Informação, Lai Mohammed.

Apesar de ter perdido perante o Exército nigeriano boa parte dos territórios que controlava, o Boko Haram, que luta por impor um Estado islâmico no norte do país, segue cometendo atentados na Nigéria e em países vizinhos.

Desde 2015, o Boko Haram ampliou sua zona de operações ao lago Chade, área difícil de controlar pela porosidade das fronteiras entre Nigéria, Camarões, Chade e Níger onde cometeu dezenas de atentados suicidas.

Nos mais de seis anos de duração do conflito, o grupo assassinou mais de 12 mil pessoas, segundo estimativas governamentais -embora outras fontes elevem este número a mais do que o dobro- e obrigaram mais de 2,5 milhões de habitantes a fugir de suas casas.

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