Juiz rejeita reabrir denúncia de Nisman contra Cristina Kirchner

Buenos Aires, 5 ago (EFE).- Um juiz da Argentina rejeitou nesta sexta-feira reabrir a denúncia que o promotor Alberto Nisman apresentou em 2015, dias antes de ter sido encontrado morto, contra a então presidente Cristina Kirchner, a quem acusava de acobertar os suspeitos iranianos do ataque contra a sede de uma associação israelita em Buenos Aires, que deixou 85 mortos em 1994.

No último dia 2, a Delegação de Associações Israelitas Argentinas (Daia) pediu que a acusação feita por Nisman fosse reaberta e que a entidade também fosse aceita como querelante, ao considerar que é um direito dela o prosseguimento de uma denúncia que, para a associação, foi arquivada de forma prematura.

Em sua resolução, segundo fontes judiciais, o juiz Daniel Rafecas, que já tinha decidido arquivar a acusação em 2015 por "inexistência de crime", algo que foi confirmado por dois tribunais de apelação, sustentou que as questões que a Daia apresentou em sua petição "revelam uma ausência de reais elementos de prova" que permitiriam a reabertura do caso.

Nisman, procurador encarregado da investigação do atentado contra a associação Amia, que continua sem solução, considerava que um acordo assinado entre Argentina e Irã em 2013, que o governo tinha assegurado que serviria para conseguir avanços para esclarecer o ataque, tinha, na realidade, o objetivo contrário.

O promotor, que foi encontrado morto com um tiro na cabeça quatro dias após apresentar a acusação contra Cristina e outros integrantes do alto escalão do governo, acreditava que o acordo serviria para acobertar os suspeitos do atentado, entre os quais se encontram o ex-presidente iraniano Ali Akbar Rafsanjani, em troca de promover a troca comercial de grãos argentinos por petróleo iraniano.

Esse polêmico acordo foi ratificado pelo parlamento argentino com os votos da então maioria kirchnerista, mas o documento nunca foi ratificado no Irã após sua assinatura e não chegou a entrar em vigor, enquanto na Argentina foi declarado inconstitucional algum tempo depois.

O atentado contra a Amia em Buenos Aires, o maior sofrido no país, foi o segundo ataque contra alvos ligados à comunidade israelita da Argentina, depois que 29 pessoas morreram em 1992 pela explosão de uma bomba em frente à embaixada de Israel, um ataque que também não foi esclarecido.

Por outro lado, a morte de Nisman também segue sendo um mistério, já que não foi determinado se foi suicídio, induzido ou não, ou homicídio.

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