Trump e sua guerra particular contra a imprensa

Jairo Mejía.

Washington, 5 ago (EFE).- O candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, costuma sempre dedicar um tempo de seus comícios para atacar os jornalistas, chamá-los de desonestos e direcionar a ira de sua audiência contra eles.

Trump evita oferecer mais entrevistas coletivas que sua rival democrata, Hillary Clinton, mas quase sempre utiliza esses encontros, muitas vezes um monólogo mais que outra coisa, para atacar os profissionais da informação e os veículos de imprensa que o criticam, e também para ameaçar incluí-los em sua "lista negra", que contém aqueles cujo acesso está vetado em seus atos de campanha.

Em um comício esta semana em Ashburn, na Virgínia, Trump voltou a investir contra os meios de comunicação: "Este sistema está manipulado. Estamos concorrendo contra um sistema manipulado e veículos de imprensa desonestos. Os meios de comunicação são muito desonestos, muito, muito desonestos", disse o magnata.

Em outras ocasiões, Trump prefere pedir a seus simpatizantes que virem de costas e deem uma olhada nos jornalistas, para posteriormente realizar comentários como: "Lá atrás, fechados, é assim que gosto de vê-los".

A campanha de Trump criou o que passou a ser chamado como sua "lista negra", que contém um conjunto de veículos de imprensa que não estão permitidos de entrar nos atos de campanha do candidato e que, além disso, têm sua cobertura dificultada no que for possível.

O jornal "The Washington Post", a emissora hispânica "Univisión", a publicação "Político" e os meios digitais "Buzzfeed" e "Huffington Post" foram incluídos na lista, cujos integrantes parecem entrar e sair dependendo de como Trump avalia a cobertura que recebe.

No início desta semana, Trump ameaçou incluir o jornal "The New York Times" na lista, pois alegou que este não sabe como escrever algo positivo sobre ele, após histórias que expõem as conexões do chefe de campanha de Trump com líderes ucranianos pró-Rússia e sobre as prorrogações que permitiram ao candidato não ir à Guerra do Vietnã.

"O 'New York Times' é muito injusto. Escrevem três ou quatro artigos sobre mim todo dia", explicou Trump em uma entrevista à emissora "Fox News".

"O 'Washington Post' melhorou um pouco ultimamente", comentou o magnata, antes de ameaçar proibir a entrada de pessoal do jornal nova-iorquino em seus atos de campanha.

Os jornalistas do "Washington Post" foram os primeiros a serem vetados dos eventos de campanha de Trump, inclusive depois de comprar entradas para acompanhar os mesmos no meio do público.

Trump não se preocupa com formalidades quando realiza suas "rodas de imprensa", já que uma vez chamou um veterano jornalista da emissora "ABC" de "asqueroso" e habitualmente ironiza a "CNN" (Cable News Network), apelidando a emissora de "Clinton News Network".

Para as mulheres jornalistas, Trump reserva grandes doses de misoginia, como quando bradou recentemente um "cale-se" para a repórter Katy Tur, da "NBC", ou quando interrompeu as perguntas de outras com comentários como: "Vi você na televisão, é uma beleza".

Em uma coluna de opinião publicada esta semana, o especialista do centro de estudos Brookings Institution, Robert Kagan, argumentou que Trump sofre alguma patologia psicológica que, por orgulho ou narcisismo, o leva a responder qualquer crítica contra si, mesmo quando isso atenta contra seus interesses.

"Há algo ruim neste homem. Não é só sua incapacidade para a empatia; não é só o fato de responder a qualquer crítica que recebe atacando ou diminuindo quem o critica, independentemente de quão pequeno ou inconsequente é o comentário. O problema real é (...) que ele não consegue se controlar", comentou Kagan.

Com a imprensa, Trump se controla pela metade: "Deveria retirar a credencial do 'New York Times', mas não farei porque, depois, isso vai me trazer publicidade ruim", disse na segunda-feira.

Em outros momentos, o magnata não pôde evitar que aflorasse esse outro eu, como quando em dezembro exclamou em um comício: "Ódio à imprensa, eu os odeio (...). De todas as formas não os mataria, eu nunca faria isso".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Newsletter UOL

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos