Ucrânia nega envolvimento no atentado com bomba contra líder pró-Rússia

Kiev, 6 ago (EFE).- A Ucrânia negou neste sábado envolvimento no atentado com bomba perpetrado na manhã deste sábado contra o líder separatista da região ucraniana de Lugansk, Igor Plotnitski, que ficou ferido e teve que passar por uma cirurgia de urgência.

"A parte ucraniana não participou de dita tentativa de assassinato, já que carece de lógica e não soluciona nenhum problema", disse Aleksandr Motuzianik, porta-voz presidencial, aos meios de comunicação locais.

Kiev considera que a tentativa de assassinato é consequência das lutas internas pelas esferas de influência no seio da autoproclamada república popular de Lugansk.

"Os métodos da luta pelo poder entre esses grupos não variam", acrescentou.

Plotnitski teve que ser operado depois que os estilhaços desprendidos pela bomba alcançaram seu fígado e baço, além de sofrer queimaduras de diversos graus e uma forte contusão, embora fontes hospitalares assegurem que sua vida não corre perigo.

A bomba, de uma grande potência e que explodiu no centro da capital regional durante a passagem do veículo oficial, também deixou feridos dois acompanhantes do separatista que viajavam no veículo e causou danos nas fachadas dos edifícios próximos.

Fontes separatistas informaram à mídia russa que a principal versão do atentado aponta para uma bomba colocada por uma unidade de sabotagem ucraniana.

Contudo, o representante da autoproclamada república popular de Lugansk nas negociações de paz, Vladislav Deinego, garantiu que "nenhuma provocação pode influenciar no processo de Minsk".

"Não se deve cair nas provocações do inimigo. Continuaremos respeitando os Acordos de Minsk. Não estamos falando de retomar os combates por nossa parte", afirmou.

O presidente do parlamento da autoproclamada república popular vizinha de Donetsk, Denis Pushilin, alertou que o atentado é a ante-sala de uma ofensiva governamental ucraniana.

"As últimas ações da Ucrânia falam que a guerra se aproxima. O Exército ucraniano se encontra em estado de preparação. Em resumo, Kiev aposta pela variante militar de solução do conflito. Estamos na ante-sala de ações militares a grande escala", disse.

Na sua opinião, com o atentado contra Plotnitski, Kiev "queria decapitar os dirigentes e causar o pânico" em Lugansk, mas ressaltou que a população de ambas as regiões está a favor dos líderes rebeldes.

O leste da Ucrânia, onde rege teoricamente um cessar-fogo desde a assinatura dos Acordos de Minsk de fevereiro de 2015, vive nas últimas semanas uma escalada de tensão que tiraram a vida tanto de milicianos rebeldes como de soldados ucranianos.

As negociações de paz estão estagnadas, entre outras coisas, pela falta de acordo sobre as eleições nas zonas controladas pelos separatistas, já que Kiev exige garantias de segurança e a presença de observadores internacionais.

Além disso, Ucrânia reivindica o controle da fronteira entre as regiões de Donetsk e Lugansk e território russo, enquanto Moscou pede a Kiev que aprove antes uma lei que outorgue um status especial às zonas separatistas.

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