Akihito reconhece que idade torna "difícil" desempenhar suas funções

Tóquio, 8 ago (EFE).- O imperador do Japão, Akihito, afirmou nesta segunda-feira que devido a sua avançada idade e a seu estado de saúde sofre de "muitas limitações", por isso que será difícil para ele "continuar assumindo responsabilidades importantes", em mensagem televisionada dirigida ao povo japonês.

"Fico preocupado que possa se transformar em algo difícil para mim realizar minhas responsabilidades como símbolo do Estado, como vim fazendo até agora", disse Akihito, de 82 anos, se referindo assim à possibilidade de abdicar nos próximos anos.

No segundo discurso deste tipo que o monarca faz desde que subiu ao Trono do Crisântemo em 1990, o imperador evitou se referir diretamente a sua intenção de deixar o cargo, já que a Constituição não contempla atualmente a sucessão em vida.

"Nos últimos anos comecei a refletir sobre meus anos como Imperador, e a contemplar minhas funções e deveres nos anos que se aproximam", declarou Akihito em seu discurso, que foi gravado na véspera e veiculado hoje pelas televisões japonesas.

"Após duas cirurgias e devido a minha minha idade avançada, comecei a sentir um declive em meu estado físico (...)", reconheceu o imperador, acrescentando que, segundo sua opinião, "não é possível continuar reduzindo perpetuamente" as tarefas que desempenha.

Devido a seus problemas de saúde, durante os últimos anos Akihito já delegou a seu filho, o príncipe herdeiro Naruhito, algumas das obrigações de sua agenda.

"Quando um imperador doente ou seu estado de saúde é grave, me preocupa que, como aconteceu no passado, a sociedade entre em ponto morto ou a situação possa impactar nas vidas das pessoas (...) Em algumas ocasiões penso como seria possível evitar esta situação", afirmou.

Embora tenha destacado que a Constituição não lhe outorga "nenhum poder político", expressou seu desejo de que "as funções do Imperador como símbolo de Estado possam continuar de forma estável e sem nenhuma interrupção".

O imperador afirmou que durante os 28 anos de seu reinado "compartilhou muitas das alegrias e tristezas" dos japoneses, ressaltando que sempre desempenhou suas funções guiado por um "profundo respeito e amor pelo povo".

Akihito destacou seu desejo de manter a "longa história de imperadores" do Japão, cuja monarquia reinante é considerada a mais antiga do mundo.

A mensagem de Akihito foi veiculada quase dois meses depois que a emissora pública "NHK" revelou que o monarca tinha a intenção de delegar em breve o trono a seu primogênito Naruhito, de 56 anos.

Já que a Carta Magna impede o imperador de realizar qualquer atividade política, Akihito não quis mencionar de forma explícita seus planos de renúncia, pois esta tornaria necessária uma reforma da lei para garantir a sucessão automática de Naruhito.

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