Biden vê América Latina como prioridade para próximo presidente dos EUA

Washington, 8 ago (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, ressaltou nesta segunda-feira que o sucessor de Barack Obama na presidência precisa ter como prioridade a relação do país com a América Latina e condenou as ideias isolacionistas do candidato republicano para estas eleições, Donald Trump.

"O próximo presidente deveria aprofundar a relação dos EUA com as regiões mais dinâmicas do mundo, aproveitando as oportunidades que existem em ambos os lados do Pacífico, começando aqui mesmo, no hemisfério ocidental", disse Biden em artigo publicado nesta segunda na revista "Foreign Affairs".

"Canadá, América Latina e o Caribe têm um impacto enorme em nossa segurança e prosperidade. Por isso, o hemisfério ocidental deveria exercer importante papel nas nossas prioridades de política externa no século XXI", destacou o vice-presidente americano.

Companheiro de chapa de Obama nas duas últimas eleições, Biden teve um papel destacado nas relações com países da América Latina durante os quase oito anos da atual administração. Para ele, o novo enfoque dado à região neste período "já está dando frutos".

"O prestígio dos EUA nunca foi tão alto, graças à prioridade que Obama e eu demos à melhora no relacionamento com nossos vizinhos, inclusive com a abertura das relações com Cuba", argumentou o político.

"A próxima administração deveria se comprometer com a continuidade desse tom na relação para fortalecer a segurança e a prosperidade dos povos em todas as Américas", acrescentou.

Segundo o democrata, a "mesa está posta" para o aprofundamento da cooperação do país com México e Canadá, o aproveitamento dos laços renovados com a Argentina, a manutenção das alianças sem precedentes com os países da América Central, além da expansão das alianças com lideranças regionais como Brasil, Chile e Colômbia.

Biden admitiu que persistem desafios como a imigração ilegal, o narcotráfico, a corrupção sistêmica e a fragilidade de instituições democráticas, mas disse ver a região mais caracterizada atualmente por oportunidades que pelas crises.

O democrata citou como oportunidades a possível ampliação do comércio com a região, a integração energética e a chance de "um hemisfério mais pacífico através da ajuda dos Estados Unidos para o término de longos conflitos, como o que aconteceu recentemente na Colômbia" com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Biden também fez um alerta contra o discurso isolacionista de Trump, embora não tenha citado o nome do adversário político diretamente.

"Ameaças transnacionais como doenças, mudanças climáticas, ataques informáticos ou ideologias perversas não respeitam fronteiras", disse o vice-presidente.

"Até mesmo em tempos mais fáceis, o isolacionismo nunca ofereceu mais que uma falsa sensação de segurança. Agora, mais que nunca, não podemos construir um muro que possa nos proteger de perigos externos ou esperarmos sentados que outros resolvam por nós os problemas do mundo", completou Biden.

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