Campanha apela para laços com A.Latina para fazer hispânicos votarem nos EUA

Jairo Mejía.

Washington, 8 ago (EFE).- Uma nova campanha apresentada nesta segunda-feira em Washington apela para a união familiar e os vínculos com a América Latina para elevar a participação dos eleitores latinos nas eleições de novembro nos Estados Unidos, que mais uma vez podem decidir a escolha do futuro inquilino da Casa Branca.

A campanha "Diles que Voten" ("Diga-lhes que Votem", tradução livre), organizada por um grupo de estrategistas e especialistas em comunicação política, quer "elevar a voz dos latinos" na disputa presidencial entre o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton.

Os vídeos da iniciativa, destinados ao público da internet, utilizam os laços dos eleitores latinos nos Estados Unidos com familiares e amigos na América Latina para pedir-lhes que se registrem e votem nas eleições, cuja repercussão vai além das fronteiras americanas.

"Pelo conteúdo das campanhas (de Trump e Hillary), agora há um tema de conversa na mesa das famílias latino-americanas. Estas eleições também despertam interesse na América Latina", explicou hoje em entrevista coletiva em Washington Robert Trad, estrategista político e um dos organizadores da campanha.

"A cultura política entre os latinos é ensinada nas famílias, por isso a voz das famílias difunde os valores democráticos", afirmou Trad.

Trump prometeu construir um muro na fronteira com o México para evitar a imigração ilegal e deportar as pessoas que residem de maneira irregular no país, algo que foi bem recebido pelos eleitores republicanos, que escolheram o magnata na disputa das eleições primárias de seu partido.

A democrata Hillary Clinton, por sua parte, prometeu promover no Congresso uma reforma migratória com uma via para que os 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem no país possam obter a cidadania.

Além disso, ambos os candidatos se opuseram em diferentes maneiras ao Acordo de Associação Transpacífico (TPP, sigla em inglês), que prevê a redução de tarifas entre nações com litoral no Oceano Pacífico que aderiram ao tratado, entre eles Chile, México e Peru.

"Embora o lado racional seja importante nas eleições, os eleitores latinos são cidadãos muito emocionais", afirmou Israel Navarro, estrategista político radicado em Washington.

"O discurso racional conquista a cabeça, mas não pode conquistar o coração. Por isso, consideramos que era necessária uma campanha para promover o voto neste sentido", acrescentou Trad.

A campanha "Diles que Voten" é mais uma tentativa de fazer com que os latinos, uma força que foi decisiva na reeleição do presidente Barack Obama em 2012, compareçam às urnas em grande número nestas eleições, especialmente nos estados em que os hispânicos têm forte presença e naqueles que são chave para desequilibrar a balança.

Em 2012, 48% dos latinos aptos a votar compareceram às urnas, um total de 11,2 milhões, e agora que os hispânicos têm maior peso demográfico, espera-se que 15 milhões depositem sua cédula nas urnas em 8 de novembro.

Segundo dados do centro de pesquisas Pew, 27,3 milhões de latinos poderão votar neste pleito, 12% de todo o eleitorado. Assim, se sua participação chegar perto de 50%, como costuma ocorrer em termos gerais, essa minoria pode ser decisiva na escolha do próximo presidente.

Na opinião de Trad, "a participação do eleitorado hispânico não foi suficiente até agora, por isso acreditamos que esta campanha acrescenta valor a esses esforços".

"Agora é responsabilidade das campanhas de Hillary e Trump transmitir sua mensagem aos latinos", acrescentou o estrategista.

Um grande leque de organizações hispânicas como NALEO (Associação Nacional de Funcionários Latinos), LULAC (Liga de Cidadãos Latino-americanos Unidos), Minha Família Vota e o Conselho Nacional da Raça (NCLR) promovem iniciativas para que os hispânicos se naturalizem, se registrem para votar e participem das eleições.

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