Funcionários turcos na Holanda são suspensos por supostos laços com Gülen

Bruxelas, 8 ago (EFE).- A Turquia suspendeu e obrigou o retorno ao país de cinco funcionários do alto escalão de sua embaixada na Holanda suspeitos de ter vínculos com o teólogo e escritor Fethullah Gülen, a quem o governo em Ancara culpa de estar por trás do fracassado golpe de Estado, confirmou à Agência Efe um porta-voz da delegação, que não quis ter seu nome revelado.

O representante esclareceu que os trabalhadores não foram demitidos, como disse nesta segunda-feira o jornal "Algemeen Dagblad", mas sim voltaram à Turquia como parte de uma investigação ainda em andamento. Caso fique provado que as suspeitas são infundadas, eles poderão voltar à embaixada.

"Nós também esperamos que possam voltar", afirmou o porta-voz, enfatizando que os funcionários do Ministério das Relações Exteriores da Turquia ainda não foram condenados e que estão apenas sendo alvo de uma investigação.

Segundo ele, os cinco empregados são os únicos na embaixada suspeitos de ter vínculos com Gülen, exilado nos Estados Unidos. Perguntado sobre se a embaixada turca tinha informado sobre a situação às autoridades holandesas, o porta-voz indicou que passarão a "informação relevante" à Holanda quando chegar o momento.

Em declarações ao "Algemeen Dagblad", o responsável interino da embaixada turca, Kurtulus Aykan, disse ter sido "surpreendido" pelo fato de alguns de seus colaboradores mais próximos serem partidários de Gülen, mas destacou que a infiltração foi silenciosa e que esse "é o talento do movimento de Gülen".

"Frequentemente ouço pessoas falarem do longo braço de Ancara, mas preferiria falar do longo braço do FETÖ (nome que a Turquia dá ao movimento de Gülen)", declarou Aykan.

O aumento das tensões por causa da tentativa de golpe de Estado na Turquia dentro da comunidade turca na Holanda desembocou em violentos incidentes e ameaças, que puseram em alerta à sociedade e as autoridades holandesas. As mobilizações de grupos de origem turca em defesa do governo do presidente Recep Tayyip Erdogan derivaram em vários atos violentos e ameaças contra organizações e indivíduos suspeitos de ter vínculos com Gülen.

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