Governo colombiano e Farc discordam sobre entrada em vigor de acordo de paz

Bogotá, 8 ago (EFE).- O governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) discordaram publicamente nesta segunda-feira sobre o momento em que entrará em vigor o acordo de paz que, para o Executivo, começará quando for assinado, enquanto para a guerrilha não está claro, já que o pacto deve ser ratificado posteriormente em um plebiscito.

Em entrevista coletiva realizada na cidade de Villavicencio, na região central do país, o alto comissário de paz, Sergio Jaramillo, disse que "não há nenhuma confusão", já que o pacto se "inicia com a assinatura do acordo de paz".

Segundo Jaramillo, a assinatura daria início ao chamado "Dia D", quando está previsto o início da mobilização dos integrantes das Farc para as zonas nas quais se reunirão e entregarão as armas, de acordo com um cronograma estabelecido entre as partes.

Além disso, o "Dia D" marcaria o começo do cessar-fogo e de hostilidades bilateral e definitivo.

"No momento em que o presidente da República (Juan Manuel Santos) e o comandante das Farc, 'Timoleón Jiménez' (conhecido como de Rodrigo Londoño Echeverri), colocarem sua assinatura no acordo, termina formalmente o conflito na Colômbia, se inicia o cessar-fogo e será o fim da guerra", afirmou Jaramillo.

No entanto, o alto comissário de paz disse que "outra coisa é que os acordos" de paz, que qualificou de "complexos, mas definitivos", se submetam à votação dos colombianos mediante um referendo que já recebeu o sinal verde do Tribunal Constitucional.

Por outro lado, "Carlos Antonio Lozada", conhecido como de Luis Antonio Losada Gallo, membro da equipe de negociação das Farc, afirmou que "nesse tema há uma diferença de apreciação neste momento".

Nesse sentido, Lozada afirmou que a possibilidade de convocação do plebiscito foi incluída no acordo de última hora, o que "afetou e violou a própria agenda estabelecida" entre as partes.

"Foi incluído que esse acordo não entrará em vigor até que tenha sido referendado pelos colombianos, por isso surge uma dúvida sobre em que momento entrará em vigor", destacou o integrante do grupo de negociação da guerrilha.

Além disso, Lozada afirmou que "enquanto o acordo não estiver vigente, não será possível dar início ao processo de deslocamento e aproximação às zonas" nas quais se reunirão os guerrilheiros como passo prévio à desmobilização.

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