Nova prefeita de Roma tropeça no lixo, seu primeiro grande obstáculo

Gonzalo Sánchez.

Roma, 8 ago (EFE).- A prefeita de Roma, Virgínia Raggi, encara um mês e meio após sua eleição seu primeiro grande obstáculo: o serviço de coleta de lixo, que tem um amplo histórico judicial e um precário funcionamento.

Raggi venceu as eleições no último mês de junho com a promessa de "limpar" Roma do lixo e da corrupção, uma tarefa que já se anunciava árdua por causa dos desmandos e dos escândalos que atingiram a prefeitura da capital italiana nos últimos anos.

Agora a prefeita do Movimento Cinco Estrelas (M5S) encontrou no sistema de coleta de lixo seu primeiro empecilho de relevância, em um momento no qual a capital apresenta uma grave crise de limpeza em suas ruas, repletas de turistas.

Passeando pela cidade não é raro encontrar restos de alimentos em pleno centro ou ver como as gaivotas reviram sacos de lixo transparentes instalados pelas ruas por motivos de segurança.

A deterioração dos serviços de limpeza atingiu seu nível mais crítico em julho, quando nas redes sociais se popularizou um vídeo que mostrava crianças do bairro periférico de Tor Bela Monaca brincando de contar ratos em um terreno descampado da região.

No centro deste cenário está a AMA, empresa municipal encarregada da coleta de lixo, com um funcionamento questionável, um alto nível de faltas ao trabalho e com um dívida de 600 milhões de euros, tal como ilustrou a própria prefeita.

A empresa conta também com vários processos judiciais, até o ponto de em dezembro de 2014 serem detidos seu diretor-geral e seu executivo-chefe na operação "Máfia Capital", uma rede mafiosa que operava dentro da prefeitura.

Também protagonizou o caso conhecido como "Parentopoli", que revelou um sistema impulsionado entre 2008 e 2010 na administração pública romana supostamente para dar preferência e distribuir postos de trabalho entre os parentes dos diretores.

Quanto a seu funcionamento, a AMA também apresenta uma série de graves deficiências no recolhimento, tratamento e eliminação das 4.700 toneladas de lixo que Roma produz a cada dia, segundo consta dos dados financeiros da empresa durante o exercício de 2015.

Em todo o ano a AMA coletou 1,7 bilhão de toneladas de lixo, mas só processa pouco mais de um terço do total, enquanto o resto é levado em caminhões para usinas de outras regiões do país para sua eliminação.

Este cenário provoca um grande mal-estar entre os romanos e agora Raggi se dispõe a reorganizar e endireitar a AMA e para isso nomeou um administrador único: Alessandro Solidoro, presidente dos comerciantes de Milão e especialista em empresas em crise.

Enquanto isso, a Autoridade Nacional Anticorrupção abriu uma investigação contra a empresa municipal a fim de obter documentação e reconstruir sua complexa história, sobretudo entre os anos de 2013 a 2015, segundo informou a imprensa local.

Algumas indagações que foram bem recebidas por Raggi: "Esperávamos isso há anos", declarou.

Mas a situação de ruína da AMA não é a única coisa que perturba a prefeita, uma vez que nos últimos dias os partidos da oposição reivindicaram a renúncia de Paola Muraro, secretária de Meio Ambiente de Roma, acusada de conflito de interesses.

Muraro trabalhou durante 12 anos como assessora da AMA e seu trabalho se centrou em seus últimos tempos no cargo no funcionamento dos centros para o tratamento mecânico e biológico de resíduos (TMB), serviços pelos quais cobrou grandes somas de dinheiro.

A imprensa local publicou que existe uma investigação em curso sobre supostas irregularidades em quatro centros, justamente deste tipo, que aparentemente teriam tratado menos lixo do que lhes correspondia por contrato.

Paralelamente diversos veículos de comunicação especularam com a ideia de que Raggi tenha perdido por causa deste tema a confiança do M5S e de seu fundador, Beppe Grillo, apesar de ter conquistado para a legenda a capital do país.

O partido rapidamente respondeu e manifestou no blog do comediante seu apoio à prefeita e a sua junta de governo, que "estão trabalhando com a cabeça baixa para devolver aos romanos uma cidade limpa, ordenada, funcional e viva".

O objetivo é "resolver os danos provocados por 20 anos de má política e má gestão por parte dos partidos e de certos dirigentes dos entes municipais", entre os quais se destacam o Partido Democrata do primeiro-ministro Matteo Renzi.

"É só questão de tempo e Roma e os romanos voltarão a respirar ar limpo, em todos os sentidos", finalizou o M5S.

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