Novos protestos contra governo deixam ao menos 104 mortos na Etiópia

(Atualiza número de mortes e acrescenta informações).

Nairóbi, 8 ago (EFE).- Pelo menos 104 pessoas morreram e centenas ficaram feridas depois que as forças de segurança da Etiópia utilizaram munição real para reprimir manifestações contra o governo em várias partes do país durante o fim de semana, denunciou nesta segunda-feira a Anistia Internacional (AI).

Em Oromia, a maior região da Etiópia, pelo menos 67 pessoas morreram e centenas foram detidas durante os protestos, enquanto em Amhara, no norte do país, pelo menos 30 morreram na cidade de Bahir Dar e outras sete em Gondar.

"A resposta das forças de segurança foi contundente, mas não uma surpresa. A Etiópia usa força excessiva de forma sistemática em suas tentativas equivocadas de silenciar qualquer voz dissidente", declarou a subdiretora para o Leste da África da AI, Michelle Kagari.

Milhares de pessoas se manifestaram em várias cidades de Oromia durante o fim de semana para mostrar seu descontentamento pelas contínuas detenções e abusos contra opositores, ativistas e políticos que apoiam a causa independentista oromo.

As concentrações foram convocadas de forma espontânea nas redes sociais e alcançaram grande apoio, o que fez com que a polícia decidisse reprimir os manifestantes com gás lacrimogêneo e munição real, o que gerou uma nova onda de protestos.

Em Bahir Dar e Gondar, os amhara, a segunda maior etnia do país depois dos oromo, foram para as ruas para pedir reformas políticas e no Poder Judiciário após anos de marginalização e perseguição por parte do governo central em Adis-Abeba.

Diante do aumento da tensão, o governo etíope decidiu interromper as comunicações e cortou o acesso às principais redes sociais e serviços de mensagem, que ainda hoje funcionam de forma errática.

Os oromo vêm protestando há meses pelo que consideram uma perseguição injustificada por parte das autoridades etíopes e, até o momento, mais de 400 pessoas morreram desde o início das manifestações, segundo estimativas da organização Human Rights Watch (HRW).

Os protestos começaram no início de dezembro do ano passado, após a aprovação de um plano urbanístico para expandir a capital Adis-Abeba, o que poderia colocar em perigo as terras de cultivo dos oromo, um povo tradicionalmente agrícola e seminômade, mas o governo acabou voltando atrás e cancelou esse projeto.

As autoridades etíopes asseguraram em diversas ocasiões que os manifestantes têm "conexão direta" com grupos terroristas estrangeiros, em alusão à Frente de Libertação Oromo (OLF, sigla em inglês), um movimento separatista que vem lutando há décadas pela independência da região de Oromia.

O governo etíope detém intelectuais e figuras proeminentes entre os oromo de forma periódica, já que teme que sua influência política possa encorajar a população a se rebelar contra a administração.

Protestos similares aconteceram em abril de 2014 e também terminaram com mortes, feridos e detenções maciças de manifestantes.

A lei Antiterrorista etíope permite o uso o uso ilimitado da força pelas autoridades contra os suspeitos de atos terroristas, incluindo a prisão preventiva de até quatro meses, que frequentemente é acompanhada de tortura.

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