Sobe para 69 o número de mortes em ataque contra hospital no Paquistão

Islamabad, 8 ago (EFE).- Pelo menos 69 pessoas morreram e 108 ficaram feridas nesta segunda-feira em um ataque suicida contra um hospital em Quetta, no oeste do Paquistão, cuja autoria foi reivindicada pelos talibãs, informaram à Agência Efe fontes da polícia local.

Um homem com oito quilos de explosivos detonou as bombas na entrada do setor de emergências do Hospital Civil de Quetta, o mesmo local para onde tinha sido levado o presidente da Associação de Advogados de Baluchistão, Bilal Anwar Kasi, que foi morto a tiros durante a manhã, disse à Efe um porta-voz da polícia provincial, Fida Hussain.

O secretário de Interior do Paquistão, Baligh ur Rehman, informou no parlamento nacional que 69 pessoas tinham morrido e 108 estavam feridas.

Cerca de 600 advogados e jornalistas tinham comparecido ao centro médico após a divulgação da notícia da morte de Kasi, por volta das 9h locais (3h de Brasília), explicou à Efe o porta-voz do Hospital Civil, Abdul Rehman.

Entre os mortos estão um jornalista da emissora de televisão "Aaj", Mahmood Khan, e o câmera do canal "Dawn", Shahzad Khan, que tinham ido ao hospital para cobrir a notícia da morte de Kasi.

As emissoras de televisão paquistanesas exibiram imagens de feridos vestidos com roupas pretas de luto, o chão coberto de sangue e um grande caos no centro médico.

O chefe do governo do Baluchistão, Sanaullah Zehri, declarou ao canal "Geo" que foi um ataque suicida "planejado", que contava que o atentado contra o advogado levaria à chegada de mais gente ao hospital.

"Eles sabiam que o advogado seria alvo de um ataque e que outros iriam ao hospital. O suicida explodiu as bombas quando os advogados foram ao hospital", disse Zehri.

O grupo talibã Jamaat ul Ahrar, cisão do principal grupo insurgente do Paquistão, o Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), reivindicou a autoria do atentado.

"Esta manhã, um mujahedin matou o presidente da Associação de Advogados do Baluchistão e depois matou muitos advogados e funcionários que protestavam por sua morte", afirmou o grupo em um e-mail enviado aos veículos de imprensa.

O primeiro-ministro paquistanês, Nawaz Sharif, condenou as mortes em um comunicado no qual afirmou que "não permitirá que ninguém perturbe a paz" e viajou para Quetta, onde visitou os feridos no ataque.

O chefe do Exército do país asiático, Raheel Sharif, chegou à cidade poucas horas depois do atentado e anunciou operações militares para deter os autores do ataque, informou seu escritório de comunicação através do Twitter.

Nos últimos meses, vários advogados foram atacados na província de Baluchistão, região sudoeste onde operam grupos armados separatistas, além de facções talibãs e grupos jihadistas.

A Associação de Advogados do Paquistão anunciou que realizará uma greve geral amanhã e declarou uma semana de luto.

O ataque de hoje é um dos mais graves neste ano no Paquistão, e só é superado pelo atentado suicida em um parque em Lahore, que deixou 73 mortos e mais de 350 feridos em março.

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