Discursos indicam que maioria dos senadores apoia impeachment de Dilma

Eduardo Davis.

Brasília, 9 ago (EFE).- Os discursos proferidos nesta terça-feira no Senado demonstraram uma clara maioria favorável à aprovação do relatório que pede a cassação da presidente afastada, Dilma Rousseff, em um longa sessão que só deve terminar na madrugada desta quarta-feira.

Para a aprovação desse relatório do senador Antonio Anastasia (PSDB-MG), que acusa Dilma de uma série de irregularidades fiscais que classifica como "atentado contra a Constituição", bastará uma maioria simples, que com presença plena no momento da votação seria de 41 entre os 81 possíveis.

Após dez horas de debates, 30 senadores tinham antecipado sua intenção de aprovar o relatório, frente a 15 que adiantaram sua rejeição. No entanto, entre os 36 que ainda não tinham se pronunciado calcula-se que a grande maioria é favorável a aceitá-lo.

Se o relatório for aprovado, o processo passará para sua última fase, quando uma nova sessão será convocada para o final de agosto e na qual Dilma será destituída do cargo se assim decidir uma maioria qualificada de 54 senadores (dois terços da Casa).

Nesse caso, o mandato que termina em 1º de janeiro de 2019 deverá ser completado pelo presidente em exercício, Michel Temer, que assumiu as funções no último dia 12 de maio após o afastamento de Dilma.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, que conduz o trâmite como fiador constitucional do processo, calculava que a sessão duraria 20 horas, mas, a fim de abreviá-la, se esforçou para que alguns parlamentares abrissem mão de seu direito de palavra.

Ao abrir a sessão, Lewandowski ressaltou a "delicada incumbência" do caso e também que os senadores deveriam atuar como "juízes", com "plena independência", segundo suas "próprias consciências e as normas constitucionais", e despojados de "paixões políticas".

A mensagem foi acatada nos primeiros discursos, mas esquecida à medida que avançava o debate, cuja temperatura subiu hora a hora.

Falando em nome de seis dos 11 senadores do PSBD para ganhar tempo, o presidente do partido, Aécio Neves, derrotado por Dilma nas últimas eleições, afirmou que o processo demonstrou a veracidade da denúncia sobre a "irresponsabilidade" da governante que fez na campanha de 2014.

"O país constata agora o que dissemos em 2014, mas também quer que aqueles que cometeram crimes respondam por isso, mesmo se tratando da presidente da República, que não pode estar acima da lei", declarou o tucano.

A réplica mais dura foi do senador petista Lindbergh Farias, que denunciou o processo como "um golpe, uma farsa e uma fraude".

"Se querem luta de classes, estamos preparados para combater no Congresso e nas ruas deste país", proclamou o senador do PT em um dos discursos mais enérgicos da sessão.

Lindbergh inclusive pediu que Lewandowski "suspenda" o trâmite até que se esclareçam suspeitas de corrupção que a revista "Veja" publicou no final de semana passado contra Temer.

Segundo a "Veja", o empresário Marcelo Odebrecht, condenado a 19 anos de prisão em primeira instância pelo esquema de corrupção na Petrobras, acusou Temer de ter recebido dinheiro de propina.

A revista sustentou que Odebrecht confessou em sua delação premiada que, em 2014, se reuniu com Temer e pactuou uma "doação" para campanhas eleitorais de R$ 10 milhões.

Esse dinheiro, segundo a versão de "Veja", tinha origem na rede de corrupção que operou na Petrobras e Temer estaria ciente disso, o que não lhe impediu de aceitar a "doação".

Lewandowski, no entanto, descartou a solicitação do senador do PT e argumentou que, do ponto de vista jurídico, as suspeitas contra Temer "são alheias" ao que o Senado discute e não podem "ser confundidas" com o julgamento de Dilma.

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