EUA negam papel de centro de estudos americano em golpe na Turquia

Washington, 9 ago (EFE).- Os Estados Unidos advertiram nesta terça-feira que a retórica antiamericana e as "teorias da conspiração" são negativas para a relação com a Turquia, depois que a imprensa turca acusou um centro de estudos americano, o Wilson Center, de estar por trás da tentativa de golpe de Estado em julho.

Uma porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Elizabeth Trudeau, afirmou que Washington expressou a Ancara sua preocupação pelas acusações contra o Wilson Center, que há vários dias ressoam na imprensa turca.

"Estes tipos de teorias da conspiração, de retórica inflamatória, não ajudam em absoluto (à relação). Falamos com nossos colegas turcos sobre isso", disse Trudeau em sua entrevista coletiva diária.

Os jornais pró-governo "Yeni Safak" e "Aksam" acusaram o diretor do programa de Oriente Médio no Wilson Center, Henri Barkey, de estar por trás do golpe fracassado do último dia 15 de julho na Turquia, como agente secreto da CIA.

As acusações se baseiam no fato de que, quando aconteceu a tentativa de golpe, Barkey estava em uma ilha perto de Istambul em reunião com outros acadêmicos, considerada pelo "Yeni Safak" um "encontro secreto" destinado a promover o levante.

O Wilson Center, uma prestigiada organização não partidária inaugurada em 1968, rejeitou as acusações e alegou que o encontro estava destinado a conversas sobre as relações do Irã com seus vizinhos um ano depois da assinatura do acordo nuclear.

"Não houve nada clandestino ou sinistro sobre a conferência, que reuniu especialistas em Irã, Turquia e Oriente Médio", escreveu hoje Haleh Esfandiari, uma companheira de Barkey no Wilson Center, no site do centro de estudos, acrescentando que a reunião tinha começado a ser organizada em dezembro.

"A Turquia contraiu a paranoia do Irã", declarou Esfandiari, ao assegurar que, como no país persa, "as interações normais entre acadêmicos na Turquia estão sendo pintadas como parte de um complô dos EUA para aumentar sua influência e derrubar regimes".

As relações entre Washington e Ancara se debilitaram depois da tentativa de golpe, dado que o governo de Recep Tayyip Erdogan acusa pelo levante seu adversário político Fethullah Gülen, residente nos EUA.

O ministro de Justiça turco, Bekir Bozdag, advertiu hoje que os Estados Unidos "sacrificarão" as relações com a Turquia se não extraditarem Gülen, como solicitou o governo turco.

Perguntada a respeito, a porta-voz do Departamento de Estado se limitou a indicar que Washington está examinando a solicitação de extradição de acordo com o tratado bilateral sobre o tema e que esse processo será "técnico" e não estará guiado pela "emoção ou retórica política".

Quanto à reunião de hoje entre Erdogan e o presidente russo, Vladimir Putin, a porta-voz americana assegurou que esse encontro "não debilitará a relação entre Turquia e EUA" e destacou que Ancara e Moscou têm em comum sua luta contra o Estado Islâmico (EI).

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