Presidente das Mães da Praça de Maio se recusa a depor em caso de fraude

Buenos Aires, 10 ago (EFE).- A ativista de direitos humanos Hebe de Bonafini, presidente da associação Mães da Praça de Maio na Argentina, exerceu nesta quarta-feira seu direito de não prestar depoimento no caso em que é investigada por suposta fraude ao Estado, informaram à Agência Efe fontes da associação.

O juiz federal Marcelo Martínez de Giorgi compareceu esta manhã à sede das Mães da Praça de Maio para tomar o depoimento, mas Hebe de Bonafini, como já havia adiantado, se negou a responder as perguntas do magistrado.

O caso investiga o suposto desvio de mais de 200 milhões de pesos argentinos (US$ 13 milhões) no programa "Sonhos Compartilhados", um plano estatal impulsionado pelo Executivo de Cristina Kirchner para a construção de casas sociais e administrado pela fundação das Mães da Praça de Maio.

Após a visita do juiz, a presidente da associação garantiu ao canal de televisão "Todo Noticias (TN)" que sua recusa a prestar depoimento é um "ato político" e que não tem medo daqueles que querem colocá-la na prisão.

"Eles estão com (o presidente Mauricio) Macri e eu estou contra Macri, eles estão com os juízes, eu estou com a Justiça, os juízes não são a Justiça" e "nunca vamos estar de acordo" porque "eles respondem ao poder da vez", afirmou Bonafini.

Na quinta-feira passada, Bonafini não compareceu pela segunda vez na audiência programada pelo juiz para que fosse interrogada, o que levou à emissão de uma ordem de prisão contra ela.

A presidente das Mães da Praça de Maio, que tem 87 anos, conseguiu evitar a ação das forças policiais e se dirigiu à Praça de Maio em Buenos Aires, onde recebeu o apoio de centenas de pessoas.

No dia seguinte, Martínez De Giorgi suspendeu a ordem de prisão após chegar a um acordo com os representantes legais de Bonafini.

Além da titular das Mães da Praça de Maio, o juiz intimou outras 42 pessoas a prestar esclarecimentos, entre elas várias figuras políticas que integraram o alto escalão dos governos de Néstor e Cristina Kirchner.

O magistrado quer determinar se houve conivência de funcionários públicos para tramitar e obter "ilegalmente" recursos estatais para a construção dos imóveis.

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