Senado aprova relatório e presidente afastada Dilma Rousseff vai a julgamento

Brasília, 10 ago (EFE).- O plenário do Senado aprovou na madrugada desta quarta-feira, por 59 votos a 21, o relatório da Comissão Especial do Impeachment que pede o julgamento da presidente afastada, Dilma Rousseff, que virou ré no processo.

A aprovação do relatório, que acusa a presidente de irregularidades fiscais graves que chega a qualificar de "atentado contra a Constituição", terá uma nova e última sessão do plenário do Senado, que deverá acontecer até o final deste mês.

Nessa sessão, que será convocada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Dilma Rousseff pode perder o cargo se assim decidir uma maioria qualificada de 54 votos entre 81 possíveis, o que representa dois terços do plenário do Senado.

Se Dilma for realmente destituída do cargo, o mandato, que acaba no dia 1º de janeiro de 2019, será concluído por Michel Temer, que assumiu a presidência da República em exercício desde o mês de maio, quando a presidente foi afastada para responder ao processo.

Ao longo das discussões que se desenvolveram durante cerca de 16 horas, dirigidos pelo presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski, os defensores de Dilma Rousseff e os favoráveis a sua cassação trocaram acusações, apesar dos pedidos do magistrado para tirar de todas as "paixões partidárias".

A réplica mais dura foi do senador petista Lindbergh Farias, que denunciou o processo como "um golpe, uma farsa e uma fraude".

"Se querem luta de classes, estamos preparados para combater no Congresso e nas ruas deste país", proclamou o senador do PT em um dos discursos mais enérgicos da sessão.

Lindbergh inclusive pediu que Lewandowski "suspenda" o trâmite até que se esclareçam suspeitas de corrupção que a revista "Veja" publicou no final de semana passado contra Temer.

Segundo a "Veja", o empresário Marcelo Odebrecht, condenado a 19 anos de prisão em primeira instância pelo esquema de corrupção na Petrobras, acusou Temer de ter recebido dinheiro de propina.

A revista sustentou que Odebrecht confessou em sua delação premiada que, em 2014, se reuniu com Temer e pactuou uma "doação" para campanhas eleitorais de R$ 10 milhões.

Esse dinheiro, segundo a versão de "Veja", tinha origem na rede de corrupção que operou na Petrobras e Temer estaria ciente disso, o que não lhe impediu de aceitar a "doação".

Lewandowski, no entanto, descartou a solicitação do senador do PT e argumentou que, do ponto de vista jurídico, as suspeitas contra Temer "são alheias" ao que o Senado discute e não podem "ser confundidas" com o julgamento de Dilma.

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