Bombardeios em Al Raqqa e combates em Aleppo matam 30, apesar da trégua

Marina Villén.

Cairo, 11 ago (EFE).- Os bombardeios da aviação russa causaram nesta quinta-feira a morte de 30 pessoas na cidade síria de Al Raqqa, enquanto em Aleppo continuaram os ataques e os combates entre rebeldes e tropas governamentais, apesar da trégua de três horas anunciada por pelo governo da Rússia.

Do total de vítimas, 24 são civis. Além disso, 70 pessoas ficaram feridas nos ataques dos aviões russos em Al Raqqa e seus arredores, no nordeste da Síria e reduto do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, que qualificou o ocorrido de "massacre", a maioria dos feridos se encontra em estado grave, e entre eles há 15 que perderam alguma parte do corpo.

Os bombardeios foram efetuados simultaneamente nos arredores do prédio da Secretaria de Segurança do Estado, localizado no centro da cidade, e na região de Al Farusia e sua usina de água, no norte.

A versão dada pelo Ministério da Defesa russo, entretanto, é diferente. O governo anunciou que seis bombardeiros estratégicos das Forças Aeroespaciais Russas atingiram posições do Estado Islâmico. Conforme disseram, foram destruídos um grande arsenal com armamento, munição e combustíveis perto da cidade de Al Raqqa, uma fábrica de munição para armas químicas no noroeste da cidade e um grande acampamento de treinamento de terroristas.

Esse é segundo ataque com aviação estratégica nos últimos três dias da Rússia, que intervém no conflito sírio desde setembro do ano passado em apoio do regime de Damasco. A Rússia começou a usar estes aviões há um mês, depois que os jihadistas derrubaram dois de seus helicópteros no norte da Síria. Também no norte do país, na cidade de Aleppo, a trégua de três horas anunciada pela Rússia - das 10h às 13h (horário local, 4h às 7h em Brasília) - não surtiu efeito.

"Não há sinais de trégua alguma", disse, por telefone, à Agência Efe o morador e ativista de Aleppo Mohamed Khaled.

Pelo menos três pessoas morreram hoje na queda de um projétil lançado pelas facções islamitas contra uma área do bairro de Al Hamdani, sob o controle das forças do regime, em Aleppo, segundo o Observatório. A ONG acrescentou que este ataque também deixou feridos, embora não tenha especificado o número.

Por outro lado, segundo Khaled, as forças do regime sírio ocuparam alguns prédios residenciais em construção, no sudoeste de Aleppo, e tentam avançar no distrito sudoeste de Al Ramusa. Al Ramusa é considerada "a porta das academias militares", que estão sob o controle das facções rebeldes, segundo o ativista.

Apesar da ofensiva, o corredor aberto pelos rebeldes nessa região para ligar os bairros do leste com a periferia sudoeste continua nas mãos dos opositores. Este corredor foi utilizado ontem e hoje para transferir feridos e doentes em ambulâncias para fora de Aleppo e para levar aos bairros da zona oeste quatro caminhões carregados de alimentos e remédios.

Sobre Aleppo, o Observatório precisou que a luta acontece entre próximo à uma área industrial no sul da cidade, que fora além disso alvo de bombardeios aéreos.

Uma fonte militar, citada pela agência oficial de notícias síria "Sana", garantiu que o Exército ganhou espaço nos arredores do sul de Aleppo com o controle de vários pontos. Para o regime sírio é importante recuperar o domínio desta área, já que por ela passava sua principal via de provisões aos bairros ocidentais em seu poder, que agora deve ser abastecida a partir do norte.

A trégua diária de três horas anunciada pela Rússia tinha o objetivo de permitir a entrada de ajuda humanitária a Aleppo e supostamente durante esse período cessariam todas as ações militares, incluindo os ataques aéreos e de artilharia. No entanto, o enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, considerou hoje que esta trégua é "insuficiente" e que é necessário pelo menos 48 horas contínuas para a distribuição de ajuda.

A cidade de Aleppo é disputada pelas forças de Damasco e os rebeldes desde 2012, quando os insurgentes conquistaram amplas áreas da cidade, a segunda maior da Síria e uma das mais castigadas pelo conflito.

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