Líder chavista pede que funcionários públicos que apoiaram revogatório de Maduro sejam delatados

Em Caracas

  • Xinhua/Presidencia de Venezuela

Quase um terço dos ocupantes de cargos de confiança na administração pública venezuelana assinou o referendo que pede a revogação do mandato do presidente Nicolás Maduro, denunciou nesta quinta-feira à militância chavista o primeiro vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Diosdado Cabello.

"Entre os 13 mil funcionários grau 99 revisados, mais de 4.000 assinaram contra o presidente Chávez e contra o companheiro Nicolás Maduro", disse Cabello em referência às assinaturas colhidas pela oposição para revogar o mandato de Maduro, lembrando ainda o referendo revogatório de Hugo Chávez, realizado em 2004, e vencido pelo então presidente.

Os funcionários de grau 99 são cargos de confiança da administração pública de livre nomeação.

O também deputado do Parlamento venezuelano reforçou que os chavistas devem denunciar os "contrarrevolucionários" (opositores) que estejam dirigindo organismos públicos ou instituições do Estado.

"Vamos fazer uma operação nacional, o partido já está fazendo. Vamos denunciá-los. Quem quiser me escreva, que onde esteja (o funcionário opositor) eu vou chamar o chefe e, se o chefe não o retirar, terá que ir embora também", ameaçou.

Cabello expôs publicamente em ocasiões anteriores que a direção do PSUV revisou as relações de empregados de ministérios e organismos públicos e comprovou que vários dos cargos de confiança estão em mãos de opositores ao governo de Maduro.

Segundo o dirigente chavista, não deve haver "esquálidos" - forma pela qual o governo chama os opositores - em instituições públicas porque estes entorpecem e "sabotam a revolução" e favorecem a seus companheiros de partido da direita.

Não é a primeira vez que Cabello faz esta solicitação. Em junho deste ano, pediu a destituição dos cargos de chefia dos funcionários que militem ou simpatizem com os partidos de oposição.

O Poder Eleitoral venezuelano anunciou esta semana que a coleta dos 20 % de apoios dos inscritos no censo para o revogatório de Maduro ocorrerá no final de outubro, o que pode adiar o referendo para 2017. A oposição defende que é possível realizá-lo ainda este ano.

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