Donald Trump e as teorias da conspiração

Hernán Martín.

Washington, 12 ago (EFE).- A candidatura de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, uma das maiores surpresas do mundo político dos últimos tempos no país, deu brecha a várias teorias da conspiração, algo que o próprio candidato aprecia muito.

As teorias vão desde a ficção-política mais plausível a autênticos casos de paranoia eleitoral, com defensores que enxergam em cada ação do magnata um novo elemento que as explica.

A principal teoria conspiratória, que circula na internet desde quando o multimilionário anunciou sua pré-candidatura em junho de 2015, é a de que Trump seja, na realidade, um "submarino" de sua rival democrata, Hillary Clinton, para torpedear as possibilidades eleitorais do Partido Republicano e dividi-lo.

Esta teoria foi alimentada principalmente pela relação que Hillary e o ex-presidente Bill Clinton mantinham desde o ano passado com o magnata nova-iorquino, participando inclusive do casamento dele com Melania, sua atual esposa, em 2005.

E também pelo fato de que Trump, que nunca militou no Partido Republicano, foi um velho e generoso doador dos democratas e dos Clinton.

Essa teoria teve um defensor de peso, Jeb Bush, um de seus principais adversários pela candidatura republicana à Casa Branca e que tinha partido como favorito, herdeiro da política de sua família, por ser filho e irmão de ex-presidentes.

"Talvez Donald Trump tenha negociado um acordo com sua amiguinha Hillary Clinton e, se seguir por este caminho, vai leva-la à Casa Branca", escreveu Jeb Bush no Twitter em dezembro do ano passado, quando o magnata já despontava nas pesquisas após os primeiros debates, mas antes de começar o afundamento de seus rivais republicanos nas primárias.

É fato que o empresário soube reunir seus apoios financeiros, tanto de democratas quanto de republicanos, uma prática que não é estranha entre os que querem ganhar favores políticos nos Estados Unidos, mas em seu caso com uma inclinação maior ao Partido Democrata, pelo menos até 2012, quando começou a focar suas contribuições nos republicanos.

Outra teoria sustenta que Trump, na realidade, não tem nenhuma intenção de se transformar em presidente e entrou na corrida eleitoral para aumentar a notoriedade que conseguiu como estrela do programa de TV "The Apprentice" (a versão original de "O Aprendiz"), em uma manobra de relações públicas.

São muitos os convencidos desta teoria, como o professor e cientista político Peter Dreier. Ele acredita que ela explica as constantes gafes e recorrentes polêmicas que o multimilionário gera.

Trump "se pela de medo" diante da ideia de ganhar a candidatura presidencial e "dorme todos os dias excitado com a atenção midiática que conseguirá no dia seguinte e preocupado com a chance de realmente vencer, inseguro sobre como sair do aperto em que se encontra", escreveu Dreier no "The Huffington Post" em outubro do ano passado.

Outra teoria que mistura conspiração, ficção-política e paranoia internacional é a que aponta que Trump pode ser um peão do Kremlin e trabalhar para o presidente russo, Vladimir Putin.

Apesar de controversa, as reiteradas trocas de afagos entre Trump e Putin e a estranha fascinação que o candidato americano tem pelo ex-coronel da KGB dão a essa teoria certa credibilidade.

"No negócio da inteligência, diríamos que o senhor Putin recrutou o senhor Trump como um agente inconsciente da Federação Russa", disse na sexta-feira passada o ex-chefe da CIA Michael Morell.

Às vésperas da convenção do partido, o Comitê Nacional Democrata foi alvo de um ciberataque que culminou com a divulgação de 20 mil e-mails comprometedores por parte do Wikileaks, algo pelo que Hillary Clinton culpou à Rússia.

Segundo os defensores da teoria, Trump, que tem investidores russos em seus negócios, encorajou dias depois o governo em Moscou a obter mais mensagens de seus rivais para prejudicá-los.

Porém, no que se refere à conspiração, o magnata parece ser um campeão, especialmente em teorias relacionadas ao presidente Barack Obama, com a defesa de que na realidade ele nasceu no Quênia e por isso devia ser impedido de ser eleito.

Trump também garante que o verdadeiro nome de Barack Obama é Barry Soweto ou Soetoro, que na realidade é muçulmano, que seu histórico acadêmico foi falsificado e que, por sua culpa, foi alvo de uma perseguição das autoridades fiscais.

Agora, sua nova teoria, que Obama já rotulou de "ridícula", é de que as eleições poderiam ser "fraudadas".

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