Justiça francesa autoriza comércio em campo de refugiados de Calais

Paris, 12 ago (EFE).- A Justiça da França rejeitou nesta sexta-feira o fechamento, solicitado pelo governo, dos estabelecimentos comerciais ilegais abertos no campo de refugiados de Calais, no noroeste do país, com o argumento de que os mesmos cumprem a função de local de encontro "pacífico" dos imigrantes.

A prefeitura (delegação do governo) tinha solicitado o fechamento administrativo dessas lojas, bares e restaurantes erguidos na chamada "selva" de Calais, onde cerca de 4,5 mil imigrantes e refugiados - segundo o último dado oficial - esperam para poder atravessar o canal rumo à Grã-Bretanha.

As associações que trabalham com os migrantes levaram essa decisão aos tribunais.

Segundo o raciocínio do juiz, é certo que esses estabelecimentos "não têm nenhuma autorização administrativa" e "não respeitam as regras sanitárias mais elementares", como a prefeitura havia apontado.

No entanto, de acordo com o magistrado, esses locais "cumprem outras funções" além das próprias do comércio, tais como "constituir lugares pacíficos de encontro entre os imigrantes". Além disso, o juiz lembrou que as unidades de abastecimento de alimentos instaladas pelas autoridades têm filas muito longas.

O juiz considerou que seu fechamento iria, portanto, prejudicar os moradores de Calais, que "vivem em condições de extrema precariedade".

A decisão representa um revés para as autoridades francesas, que estão experimentando um crescimento no número de pessoas que chegam à "selva" de Calais nas últimas semanas.

Os imigrantes se assentaram na zona norte do campo, depois que o governo francês decidiu desmantelar a do sul.

O ex-ministro conservador Xavier Bertrand, presidente da região de Hauts-de-France, onde fica o acampamento, afirmou ao jornal "Le Figaro" que a "degradação está acelerando" no acampamento e pediu medidas de controle.

Entre elas, exigiu a proibição de saída durante a noite, para dissuadir os imigrantes que tentam subir clandestinamente nos caminhões que se dirigem ao Reino Unido.

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