Depois de Cannes, Villeneuve-Loubet também veta burquíni nas praias

Paris, 13 ago (EFE).- A cidade francesa de Villeneuve-Loubet, na Côte d'Azur, se somou à Cannes na decisão de proibir o uso do burquíni em suas praias alegando que o maiô que cobre todo o corpo não se enquadra em normas de segurança e higiene.

O decreto municipal, divulgado neste sábado pela imprensa francesa, data de 5 de agosto e estabelece que até o próximo dia 31 o acesso ao local será negado a todas as mulheres que não usarem o traje de banho "correto e dentro dos bons costumes e do princípio de laicidade".

O prefeito, o conservador Lionnel Luca, destaca em declarações ao jornal "L'Express" que pretende evitar "toda a perturbação da ordem pública em uma região marcada pelos atentados". Conforme disse, a medida foi tomada depois que se ele foi informado de que uma mulher tinha se banhado "vestida".

"Considerei que não tinha cabimento por razões de higiene e porque não é apropriado se for levado em conta o contexto geral", afirmou o prefeito de Villeneuve-Loubet.

O primeiro veto foi dado pelo governo de Cannes em 28 de julho e foi divulgado na quinta-feira para a surpresa de organizações humanitárias, que anunciaram a intenção de levar essa decisão aos tribunais. O burquíni nada mais é do que uma burca adaptada para ser usada no mar ou na piscina. A roupa é muito usada pelas mulheres praticantes do Islã, já que esconde boa parte do corpo e é, ao mesmo tempo, uma vestimenta confortável.

Segundo a Liga de Direitos Humanos, o governo de Cannes discrimina mulheres "que não cometem nenhum crime", e com a referência aos últimos atentados jihadistas, como o de Nice em 14 de julho, faz "uma ligação perigosa para a paz social".

Hoje, uma pesquisa publicada pelo jornal "Le Monde" revelou que quase a metade dos católicos praticantes na França acredita que o Islã representa uma ameaça. Dos entrevistados, sete de cada dez pensam também que a influência dessa religião no país é muito grande atualmente.

A pesquisa, feita pelo Instituto Ifop entre 27 e 29 de julho, mostra que 45% dos católicos franceses praticantes acham que o Islã representa um perigo. Outros 55% - 8% a mais do que em outubro de 2012 -, acreditam que a presença de uma comunidade muçulmana na França é uma ameaça a mais para a identidade do país.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos