Buscas por suspeito que matou imã em Nova York continuam nos EUA

Nova York, 14 ago (EFE).- A polícia de Nova York disse neste domingo que continua com as buscas por um homem que matou ontem um imã e seu assistente perto de uma mesquita no condado do Queens, um caso que vem gerando protestos irados da comunidade muçulmana nos Estados Unidos.

A polícia nova-iorquina divulgou um retrato-falado do suspeito enquanto agentes do Grupo de Tarefas de Crimes de Ódio participam da investigação, informaram fontes policiais, que também advertiram que ainda é muito cedo para determinar os motivos do duplo assassinato.

O incidente ocorreu na tarde do sábado, quando um homem se aproximou do clérigo Maulama Akonjee, de 55 anos, e de seu assistente Thara Uddin, de 64, e atirou neles à queima roupa em plena luz do dia, perto da mesquita Al Furqan Jame Masjid, no bairro Ozone Park.

"É um caso de crime de ódio. Meu sogro era um imã respeitado e que andava vestido com seus trajes tradicionais durante todo o tempo", afirmou Momin Ahmed, que se identificou como genro da vítima ao tabloide "New York Post".

A polícia já tem o relato de várias testemunhas que viram um homem com uma pistola e também as imagens das câmaras de segurança que mostram o suspeito seguindo os passos do imã e de seu assistente, e correndo depois dos disparos.

Um porta-voz da polícia explicou que no momento do crime, Akonjee tinha mil dólares no bolso, mas o suspeito não levou o dinheiro, publicou o jornal "The New York Times" em seu site.

Pouco depois do ataque, centenas de pessoas se reuniram nos arredores da mesquita para protestar pelo ocorrido, aos gritos de "queremos justiça", acompanhados por autoridades religiosas e líderes políticos como o vereador Eric Ulrich.

"Isto não é o que os Estados Unidos deveriam ser. A culpa do que ocorreu é de Donald Trump. Com seu discurso, ele criou a islamofobia", disse Khairul Islam, um morador de Ozone Park que veio até a mesquita protestar.

Trump vem recebendo uma enxurrada de críticas há vários meses por seu plano para vetar temporariamente a entrada de muçulmanos no país devido à ameaça do terrorismo islamita, e também por seu bate-boca recente com os pais de um soldado americano muçulmano morto no Iraque em 2004.

A morte do imã no Queens foi condenada por associações como o Conselho de Relações Americano-Islâmicas (CAIR, sigla em inglês), que pediu hoje em comunicado que o responsável pelo "crime sem sentido" seja detido "o mais rápido possível".

"Estamos totalmente devastados e precisamos investigar a fundo o ocorrido para saber realmente se o assassinato foi por causa de nossa religião", disse, por sua vez, Kobir Chowdhury, líder de outra mesquita próxima.

O prefeito a cidade, Bill de Blasio, está seguindo de perto os acontecimentos e enviou à região sua assessora especial para assuntos com a comunidade islâmica, Sarah Sayeed, para acalmar os moradores, oferecer-lhes apoio e deixar claro que a justiça será feita.

Akonjee, casado e pai de três filhos, era um respeitado líder religioso original de Bangladesh que chegou a Nova York há dois anos e que, segundo pessoas próximas dele, tinha ganhado o respeito da comunidade e não tinha problemas com ninguém.

"Era um homem muito doce, modesto e de palavras suaves, todo um exemplo a ser seguido", disse Ahmen Zakria, que costuma rezar na mesquita Al Furqan Jame Masjid, e que acrescentou que o imã tinha previsto viajar em dez dias para seu país para comparecer ao casamento de seu filho.

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