Tropas líbias tomam rádio local e avançam rumo ao controle total de Sirte

Mohamad Abdel Malek.

Trípoli, 14 ago (EFE).- As forças vinculadas ao governo da Líbia apoiado pela ONU prosseguiram neste domingo com seu avanço rumo ao controle definitivo da cidade de Sirte, após tomarem dos jihadistas a sede da rádio local e ocuparem diversas áreas estratégicas do centro urbano nas últimas horas.

Mohamad al Gasri, porta-voz da plataforma de milícias aliada ao chamado governo de Unidade, garantiu para a Agência Efe que forças de infantaria conseguiram anular os grupos de radicais que ainda resistiam nos bairros denominados 1, 2 e 3 e no entorno do Centro de Conferências Ouagadougou.

"Os combates foram travados casa por casa, porta por porta, com ajuda da artilharia", explicou Gasri.

Durante a operação, na qual voltaram a participar aviões de combate estrangeiros, vários ninhos de franco-atiradores foram "limpos" e o edifício que abriga a rádio local foi capturado, o mesmo lugar onde os jihadistas proclamaram há 14 meses a conquista deste importante porto petrolífero.

As instalações estão agora ocupadas por soldados da plataforma "Al Bunia al Marsus", que instalou um centro de imprensa, e a bandeira da Líbia substituiu o pavilhão negro do braço local do grupo jihadista Estado Islâmico, acrescentou o porta-voz.

No entanto, os radicais insistem através de seu canal de propaganda na internet que ainda mantêm posições no interior da cidade e mostraram comida e munição para negar a informação de que estão desprovidos de armas e mantimentos.

A notícia da ocupação da rádio foi recebida com alívio e alegria no governo liderado por Mohamad al Serraj, que precisava urgentemente de uma vitória militar em Sirte para frear sua abrupta queda de popularidade. Além disso, essa vitória lhe traz mais força na disputa política que mantém com o governo em Tobruk e com o chefe do chamado exército regular líbio, Khalifa Hafter.

Nem Hafter, um ex-integrante do governo de Muammar Kadafi que foi recrutado na década de 1980 pela CIA e vivia exilado nos Estados Unidos até 2011, nem o parlamento em Tobruk, o único reconhecido pela comunidade internacional, legitimaram o gabinete de Serraj, designado meses atrás pela ONU.

Este Executivo se transferiu em abril de forma furtiva a Trípoli, mas, desde então, não conseguiu assumir o controle da capital, nem abrir canais que lhe permitissem restabelecer a união nacional.

A população também o considera como responsável pelo aumento da insegurança em Trípoli, onde diariamente se sucedem os sequestros e os assassinatos, e onde as condições de vida são miseráveis: a maior parte dos bairros não conta com água corrente e fornecimento de eletricidade durante as 24 horas do dia.

Além disso, nas últimas semanas se aprofundaram as divergências entre Serraj e dois influentes membros do Conselho Presidencial designado pela ONU, que ele mesmo preside.

A deterioração da situação política e social levou nesta sexta-feira o enviado especial das Nações Unidas na Líbia, Martin Kobler, responsável por elaborar o acordo que permitiu a formação do governo, a advertir que o Executivo de Serraj corre o risco de "ruir".

Em entrevista concedida ao jornal suíço "Neue Zürcher Zeitung", o diplomata alemão admitiu que Serraj "está perdendo apoio (popular), pois em abril havia 20 horas de eletricidade em Trípoli, agora são 12". Além disso, "as pessoas compravam um dólar por 3,5 dinares em abril, e agora são 5. Isto é desastroso em uma economia onde a maioria dos bens são importados e seu apoio está ruindo", acrescentou Kobler.

No entanto, o diplomata insistiu em defender que o plano traçado pela ONU e a concentração de todos os protagonistas e forças locais em torno do governo de Serraj são a única fórmula para desbloquear o conflito.

Assim, Kobler reiterou que vai insistir em suas tentativas de se reunir com Hafter, apesar da oposição de alguns membros do próprio Conselho Presidencial e das milícias de Misrata, que lideram os combates em Sirte.

Esta inesperada resistência dos jihadistas, que estão sob assédio há mais de dois meses, junto com a deterioração do projeto de governo da ONU e a força de Hafter, levaram Serraj a pedir a ajuda militar dos Estados Unidos.

No dia 1º de agosto, aviões de combate americanos se uniram às milícias de "Al Bunia al Marsus", lideradas pelos rebeldes de Misrata, e a unidades especiais de França, Itália e Reino Unido.

Desde então, a aviação dos EUA realizou 36 ataques aéreos que permitiram aos cerca de 6 mil combatentes líbios no terreno romperem a resistência jihadista e avançarem da região do porto para o centro urbano.

Responsáveis militares disseram à Efe hoje que o fim das grandes operações militares na cidade poderá ser anunciado em questão de alguns dias.

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