Biden apela a eleitores brancos com dura advertência sobre "perigos" de Trump

Miriam Burgués.

Washington, 15 ago (EFE).- O vice-presidente dos Estados Unidos, Joseph Biden, dedicou nesta segunda-feira seu primeiro comício junto à candidata democrata à Casa Branca, Hillary Clinton, à tentativa de convencer o eleitor branco do perigo encarnado pelo republicano Donald Trump e de que só a ex-secretária de Estado entende o lugar do país no mundo.

Hillary e Biden realizaram seu primeiro ato de campanha juntos em Scranton (Pensilvânia), a cidade natal do vice-presidente e também do falecido pai da ex-primeira-dama, Hugh Rodham.

Os dois focaram seus discursos nos apelos aos eleitores trabalhadores de classe média e, em particular, aos homens brancos, um grupo no qual Hillary fraqueja na disputa com Trump, o candidato republicano à Casa Branca.

Além disso, a Pensilvânia é um dos estados cruciais para Trump em sua estratégia para a vitória nas eleições de novembro devido a sua composição socioeconômica, com predomínio de brancos da classe trabalhadora com pouca formação e muito afetados pela desindustrialização.

Sem entrar na avaliação das propostas de campanha de Trump, Biden enfatizou em seu discurso que o magnata é alguém "total e completamente não inapto para ser presidente dos Estados Unidos", alinhado com as declarações recentes do atual presidente, Barack Obama.

Segundo Biden, nunca um candidato presidencial - republicano ou democrata - "soube menos ou esteve menos preparado" para conduzir a segurança nacional que Trump, "que não tem nem ideia do que é necessário para liderar este grande país".

O vice-presidente disse, além disso, que o que mais o incomoda em Trump é que "seu cinismo não tem limites" e que a afirmação do magnata sobre sua preocupação com a classe média "é só um punhado de mentiras", algo que também disse na Convenção Democrata deste ano, na Filadélfia.

Biden ainda advertiu que Trump "teria amado" o líder soviético Joseph Stalin e que as ideias do magnata são "muito perigosas e antiamericanas", citando como exemplo a declaração do republicano que disse considerar Obama o fundador do grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

O democrata argumentou que eleger Hillary em novembro mudará as vidas de meninas de todo o país ao servir como inspiração como a primeira presidente dos EUA. Além disso, o vice-presidente disse que todos sabem da "valentia" e da "inteligência" da candidata, mas que poucos "entendem completamente o quão apaixonada ela é".

"Não há nada, nada, que ela não entenda sobre o lugar dos Estados Unidos no mundo", concluiu Biden.

Por sua vez, Hillary adiantou durante seu discurso que, se vencer as eleições de novembro, pedirá a Biden que siga liderando a campanha que comanda atualmente contra o câncer.

"Se for eleita em novembro, pedirei a Joe que continue o grande trabalho que começou para nos ajudar a combater e derrotar o câncer", prometeu Hillary no início do comício.

O vice-presidente dos EUA lidera desde o começo deste ano um grupo de trabalho que conta com orçamento inicial de US$ 1 bilhão e que tem como objetivo a obtenção de recursos públicos e privados para pesquisas sobre o câncer.

Biden transformou a luta contra o câncer em uma prioridade pessoal desde que perdeu seu filho Beau, de 46 anos, em maio de 2015 devido a um tumor cerebral.

O governo de Obama batizou esta campanha como sua "ida à Lua" particular, em homenagem à promessa que fez o então presidente John F. Kennedy há 55 anos de levar os EUA à Lua.

Por outro lado, Hillary ressaltou durante o comício que Biden "nunca se esqueceu de onde veio", de suas origens, e que sempre foi e continua sendo "um lutador" que se preocupa com as famílias trabalhadoras.

"Sempre lembro que sou neta de um operário e filha do proprietário de um pequeno negócio", afirmou Hillary, que também aconselhou os cidadãos de Scranton e de toda Pensilvânia, que, para ela, não deveriam "deixar seus amigos votar em Donald Trump" em novembro.

Nas próximas semanas, Biden fará campanha de novo na Pensilvânia e em outros estados como Ohio, Michigan e Flórida, tanto para apoiar Hillary como candidatos nas disputas pelas vagas abertas no Senado.

Biden chegou a pensar em concorrer novamente nas primárias democratas pela candidatura presidencial, como fez em 1988 e 2008, mas desistiu oficialmente em outubro do ano passado, em parte pelo luto após a morte de seu filho e também pelo pouco tempo para a montagem de uma campanha com chances de sucesso.

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