Polícia de Nova York investiga se morte de imã foi crime de ódio

Nova York, 15 ago (EFE).- A polícia de Nova York está investigando se o assassinato de um imã (autoridade religiosa do islã) e seu assistente no sábado passado, perto de uma mesquita no condado de Queen, foi um crime de ódio ou uma vingança.

"O crime de ódio é uma possibilidade, mas ainda não está claro", disse o chefe dos detetives do Departamento de Polícia de Nova York, Robert Boyce, em entrevista coletiva que concedeu ao lado do prefeito Bill De Blasio e do chefe de polícia da cidade, Bill Bratton.

Boyce confirmou as informações de que o suposto autor do crime, detido no domingo noite, é um homem latino cuja vinculação com o imã e seu assistente é desconhecida.

A polícia teria "evidências importantes" de que o detido é o responsável pelo incidente, pois, em sua fuga, ele feriu um ciclista que reconheceu a placa do veículo no qual supostamente estava o homem que acabava de cometer os assassinatos.

Segundo as autoridades, existem gravações de vídeo nas quais aparece o suspeito, e, além disso, existiria uma testemunha que teria reconhecido o homem detido por fotografia.

Após o interrogatório realizado hoje, o detido enfrentará duas acusações de assassinato, assim como de outro crime, de atropelo e fuga sem socorro.

O incidente ocorreu na tarde do sábado, quando um homem aproximou-se do clérigo Maulama Akonjee, de 55 anos, e de seu ajudante Thara Uddin, de 64, ambos da comunidade de Bangladesh no bairro.

O homem, então, disparou no religioso pelas costas em plena luz do dia, perto da mesquita Al Furqan Coma Masjid, no bairro Ozone Park.

Segundo fontes da investigação citadas pelo jornal "Daily News", o caso provocou a ira da comunidade muçulmana, e as autoridades começam a suspeitar que o crime pode ter sido causado por uma crescente rivalidade entre muçulmanos e latinos em Ozone Park.

Uma das pistas nesse sentido é o incidente que aconteceu uma semana antes do assassinato, quando um grupo de muçulmanos teria atacado latinos no bairro.

Casado e pai de três filhos, Akonjee era um líder religioso original de Bangladesh que havia chegado a Nova York há quatro anos. Segundo seus pares mais próximos, ele havia conquistado o respeito da comunidade e não tinha inimigos.

O prefeito da cidade reiterou as condolências "da parte de oito milhões e meio de nova-iorquinos" e disse que a polícia de Nova York reforçará sua presença nas mesquitas da cidade.

Além disso, ressaltou em entrevista coletiva que "900 soldados da NYPD são muçulmanos americanos".

"Não sabemos quem fez isto, mas saberemos", destacou De Blasio, que garantiu que "o responsável será levado à Justiça".

"No Islã, quando morre alguém, é uma perda não só para a família, mas para toda a comunidade. Os nova-iorquinos entendem bem esse sentimento", definiu o prefeito.

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