Centenas de comerciantes de Gaza perdem suas permissões para entrar em Israel

Saud Abu Ramadan.

Gaza, 16 ago (EFE).- Durante a última semana, Aamer Ajour, vendedor de carros usados em Gaza, tentou sem sucesso atravessar o posto fronteiriço de Erez com a permissão que usou durante anos, mas Israel negou sua entrada, da mesma forma que fez com centenas de outros comerciantes.

As autoridades militares israelenses informaram a este palestino de 42 anos que ele está proibido de entrar em Israel, apesar de ter feito isso durante duas décadas, afirmou à Agência Efe o vendedor.

"Tive permissão israelense para atravessar desde 1996 e utilizava todo o tempo para ir comprar carros usados europeus e israelenses e trazê-los a Gaza. Mas, na semana passada, me negaram a passagem e não me quiseram dizer o porquê, da mesma forma que fizeram com outros 1.500 empresários", lamentou Ajour, sentado em uma cadeira do seu cada vez mais vazio negócio em Gaza.

A recusa da permissão a atravessar a fronteira levou dezenas de comerciantes a se manifestarem ontem em frente ao posto de controle militar israelense contra o que consideram uma "revogação arbitrária" de suas permissões e exigir que a entrada em Israel volte a ser permitida para que eles possam manter seus meios de vida.

"A revogação da permissão tem um efeito negativo não só em minha vida diária, mas também na situação econômica da Faixa de Gaza", declarou Ajour.

"Não cometi nenhum crime contra a segurança israelense", acrescentou.

Walid Al Husari, presidente da Câmara de Comércio de Gaza, explicou à Efe que desde o início do ano Israel anulou permissões de cerca de três mil comerciantes, o que no entender dele "contradiz o anúncio israelense que iria melhorar a situação humanitária em Gaza"

"Na segunda-feira fizemos uma manifestação contra a nova política israelense que pretende reforçar mais o bloqueio a Gaza pressionando os mercadores e empresários, deixando-os em situação de desemprego sem motivo", lamentou o dirigente.

A suspensão de permissões ocorre após denúncias feitas às autoridades militares de tentativas de contrabando em direção a Gaza camuflados em produtos comerciais.

O último deles aconteceu semana passada, quando foram encontradas duas caixas de punhais com lâminas de 30 centímetros escondidos entre ferramentas e grafite.

Há um mês, o Ministério da Defesa israelense comunicou que haviam sido descobertas "centenas de tentativas de contrabando" através do serviço postal, que tentavam introduzir em Gaza, entre outros, câmeras de segurança, 14 drones, binóculos, laser para armas, equipamentos de comunicação, pistolas elétricas, componentes de armas, câmeras GoPro, sistemas de comunicação por satélite, antenas WiFi, sensores e roteadores.

Al Husari, no entanto, argumentou que Israel "sempre tem suas próprias desculpas" e defende que os comerciantes introduzam na Faixa "comida, roupa, sapatos, carros" e outros bens de primeira necessidade para 1,9 milhão de pessoas que vivem sob um estrito bloqueio israelense desde que o movimento islamita Hamas tomou o controle do território em 2007.

Questionado pela Efe, o Escritório de Coordenação de Atividades do governo nos Territórios (COGAT, organização militar que se encarrega de gerir a ocupação), afirmou que "a política civil para a Faixa de Gaza não mudou", embora admita que "neste momento há 1.600 permissões para comerciantes válidas, frente às 2.800 permissões que existiam em 2015".

Quanto a um eventual cancelamento em massa das permissões, o escritório Shin Bet, agência interna de inteligência israelense, não respondeu os questionamentos da Efe até o momento da publicação desta reportagem.

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