Estratégia de governo sírio pode vitimar 100 mil crianças em Aleppo, diz ONU

Genebra, 16 ago (EFE).- Cerca de 100 mil crianças na região leste de Aleppo, norte da Síria, podem ser as proximas vítimas da estratégia "render-se ou morrer" utilizada pelas forças governamentais, com apoio da Rússia, na tentativa de recuperar territórios controlados por rebeldes no país.

A denúncia foi feita nesta terça-feira pela comissão da ONU que investiga os crimes praticados em mais de cinco anos de guerra na Síria, que considera que os ataques contra bairros tomados pelos rebeldes "parecem ser o prelúdio de um cerco, idealizado para capturar a cidade mediante uma estratégia bem documentada que obriga os cidadãos a decidirem se querem se render ou morrer.

A comissão expressou preocupação não só pelas crianças, mas por todos os civis de Aleppo, sujeitos a bombardeios diários das forças do regime sírio e da Rússia.

Segundo o órgão, só neste ano 25 hospitais foram destruídos por bombardeios aéreos na Síria, vitimando médicos e pacientes.

"Aqueles que estão dentro dos bairros controlados pelos rebeldes descrevem horrores, sob a constante ameaça de morte por um bombardeio. A comida, água e produtos para bebês e crianças estão limitados e praticamente não existe nenhum atendimento médico", informou a comissão, integrada por quatro juristas de diferentes países.

Em quase cinco anos de investigação, este grupo tem desenvolvido meios de obter testemunhos diretos e independentes sobre o que ocorre na Síria, inclusive em zonas sitiadas.

A comissão também acusou a coalização dos grupos rebeldes islamitas Ahrar al-Sham e Yaish al Islã- e o jihadista "Frente da Conquista do Levante", antiga Frente al Nusra, de lançar ataques indiscriminados contra zonas residenciais na parte da cidade controlada pelo governo.

"A guerra tem regras e pedimos às partes combatentes que atuem de acordo com as normas internacionais", reivindicou a comissão, após ressaltar a urgência para que sejam retomadas as negociações políticas para colocar um ponto final na guerra que já matou mais de 400 mil pessoas na Síria.

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