Mais um prefeito francês proíbe burquíni em praias com caráter preventivo

Paris, 16 ago (EFE).- Daniel Fasquelle, o conservador prefeito da cidade de Le Touquet, um destino turístico no litoral do Canal da Mancha, aderiu a onda de proibições e disse nesta terça-feira que também vai restringir em caráter preventivo o burquíni, como já feito por outras três cidades do país.

Em entrevista ao canal "BFM TV", o prefeito ressaltou que, apesar de não ser comum nas praias de Le Touquet mulheres se banhando com esse traje, "não se deve esperar ter um problema para agir. O papel de um prefeito também é se antecipar".

Ele insistiu que esta medida faz parte das outras tomadas desde o começo do verão europeu para reforçar a segurança e a comparou com o desdobramento de policiais nas praias.

"É preciso lutar contra todos os comportamentos extremistas, sejam eles quais forem", afirmou o prefeito, que é também deputado de seu partido, Os Republicanos, e tem intenção de levar a questão ao parlamento em breve para promover um "debate profundo" sobre esta questão, que, em sua opinião, o governo de esquerda não presta suficiente atenção.

Embora tenha reconhecido que "não se trata de qualificar de terroristas todas as mulheres que usam o burquínis na praia", reiterou que "é preciso um verdadeiro debate nacional" sobre a conveniência de estabelecer restrições ao proselitismo religioso "ostentoso" no espaço público.

Dois prefeitos de seu mesmo partido na Côte D'Azur, os de Cannes e de Villeneuve-Loubet, também publicaram decretos similares nos últimos dias para proibir os burquínis. O mesmo fez outro de esquerda na cidade de Sisco, na Córsega, depois de uma briga entre famílias norte-africanas e locais que estavam na praia no sábado passado.

O traje é uma espécie de burca adaptada para uso no mar ou na piscina. Geralmente usado por mulheres praticantes do Islã, a roupa esconde boa parte do corpo, mas é considerada confortável.

A ministra da Família, a Infância e os Direitos da Mulher, Laurence Rossignol, foi a única do governo francês que, por enquanto, criticou o burquíni como "uma versão praiana da burca com o qual "se tenta trancar e esconder o corpo das mulheres para controlá-las melhor", mas também condenou os prefeitos conservadores.

Em entrevista publicada hoje no jornal "Le Parisien", Laurence falou sobre o aumento da reação dessas prefeituras e criticou em particular o texto de Cannes por justificar a proibição pelo contexto terrorista, já que assim se contribui para fazer ligações equivocadas entre muçulmanos e extremistas.

Os primeiros decretos foram recorridos perante no Conselho de Estado, que nos próximos dias deve opinar sobre sua regularidade legal.

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