Serra expressa "descontentamento" por declarações de chanceler uruguaio

Brasília, 16 ago (EFE).- O ministro das Relações Exteriores, José Serra, recebeu nesta terça-feira com "profundo descontentamento e surpresa" as declarações do chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, que aparentemente insinuou que o Brasil quis "comprar o voto do Uruguai" no imbróglio sobre a transferência da presidência do Mercosul à Venezuela.

"O teor das declarações não é compatível com a excelência das relações entre o Brasil e o Uruguai", afirma um comunicado do Itamaraty divulgado depois de convocar o embaixador do Uruguai no Brasil, Carlos Daniel Amorín-Tenconi, pra tratar esse assunto.

Amorín foi convocado para uma reunião no Itamaraty na qual lhe foi repassado o "profundo descontentamento" do Brasil e recebeu um pedido de "esclarecimento" sobre as declarações do chanceler uruguaio, segundo a nota.

De acordo com o jornal uruguaio "El País", que teve acesso à declaração de Nin Novoa na Comissão de Assuntos Internacionais de Deputados do Uruguai, o chanceler questionou a visita do último dia 5 de julho de seu colega José Serra e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao presidente uruguaio, Tabaré Vázquez.

"Não nos agradou a postura do chanceler Serra, que veio ao Uruguai para nos dizer - e disse em público, é por isso que lhes digo - que vinha com a pretensão de suspender a transferência (da presidência do Mercosul para a Venezuela) e que, além disso, se esta fosse suspensa, (o Brasil) nos levaria em suas negociações com outros países, como se quisessem comprar o voto do Uruguai", disse Nin Novoa, segundo o "El País".

Por sua vez, o Itamaraty contestou essas declarações e ressaltou que, na sua visita ao Uruguai em 5 de julho, Serra abordou o "potencial de aprofundamento" das relações entre Brasil e Uruguai e "as oportunidades que os dois países podem e devem explorar conjuntamente com terceiros mercados".

Além disso, destacou que o motivo principal da viagem foi a busca de uma solução sobre a presidência temporária do Mercosul, que até então era ostentada pelo Uruguai e agora corresponderia por ordem alfabética ao governo de Nicolás Maduro.

"Ao Brasil interessa um Mercosul fortalecido e atuante, com uma presidência pro tempore que tenha cumprido os requisitos jurídicos mínimos para o seu exercício e que seja capaz de liderar o processo de aprofundamento e modernização da integração", afirma a nota.

O governo interino de Michel Temer, junto com Argentina e Paraguai, tenta impedir que a Venezuela exerça a presidência do Mercosul, que o governo de Maduro diz ter assumido, o que criou uma crise interna no próprio bloco.

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