Sobe para 14 o número de mortos em bombardeio contra hospital da MSF no Iêmen

Sana, 16 ago (EFE).- Pelo menos 14 pessoas morreram e outras 24 ficaram feridas em um bombardeio realizado ontem pela coalizão militar liderada pela Arábia Saudita contra um hospital de campanha da Médicos Sem Fronteiras (MSF) no noroeste do Iêmen, informou a própria organização humanitária.

Entre os mortos estão dois funcionários da MSF, um deles no momento do ataque e outro que não resistiu aos ferimentos, informou a organização em comunicado através do Twitter.

"Após cada ataque, a MSF recebe confirmações dos protagonistas do conflito no Iêmen de que isso não voltará a acontecer", publicou a organização na rede social.

Além disso, a MSF divulgou uma declaração de sua responsável pelo setor de emergências no país árabe, Teresa Sancristóval.

"Não queremos palavras, cortesias ou compromissos não cumpridos. O que precisamos é de um compromisso de que não haverá mais bombardeios sobre centros médicos, funcionários e pacientes", afirmou a responsável da organização.

Teresa denunciou que este é o quarto bombardeio contra um hospital da MSF em menos de um ano no Iêmen, e que a guerra no país árabe mostrou "zero respeito pelos centros médicos e pacientes".

O hospital de Abs, que recebe apoio da organização humanitária internacional desde julho de 2015, ficou parcialmente destruído e todo o pessoal teve que ser retirado do recinto.

No momento do ataque, 23 pacientes estavam em sala de cirurgia, 25 na unidade de maternidade e havia 13 recém-nascidos, detalhou a MSF, que acrescentou que o hospital conta com uma sala de emergência com 14 leitos e é o principal da região ocidental da província de Hashah.

A MSF garantiu que a localização do centro médico era conhecida pelas partes em conflito, entre elas a coalizão árabe, que tinha sido comunicada em várias ocasiões das coordenadas do lugar.

"Seja proposital ou resultado de negligência, isto é inaceitável", afirmou Teresa na nota, na qual reiterou seu pedido às partes em conflito, especialmente à coalizão militar, para que não realizem ataques contra centros médicos.

No dia 10 de janeiro, quatro pessoas morreram depois que um projétil caiu em um hospital da MSF na província de Saada, vizinha a Hashah e principal reduto dos rebeldes houthis.

A coalizão árabe, integrada por países muçulmanos sunitas e liderada pela Arábia Saudita, iniciou sua intervenção no Iêmen contra os houthis em março de 2015, quando estes expulsaram o presidente Abdo Rabbo Mansour Hadi do país.

Esta aliança costuma negar ou guardar silêncio sobre as acusações de bombardeios contra instalações civis.

Até agora, a coalizão não se pronunciou sobre Abs e apenas nas últimas horas indicou que está investigando o ataque contra uma escola no último sábado em Saada.

A MSF, que conta com 2 mil funcionários no Iêmen, entre eles 90 estrangeiros, opera em 11 hospitais e centros médicos e oferece apoio a outros 18 em oito províncias.

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